Como orientar meninas adolescentes quanto à prevenção de uma gestação indesejada?

Para responder esta questão, utilizamos as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde.
Podemos orientar as adolescentes e obter êxito através do diálogo e do vínculo do profissional de saúde com estas meninas.
As pessoas jovens merecem um atendimento que não as julgue e que as respeite, independente do quão jovem possam ser. Críticas e atitudes de censura manterão as jovens distantes do atendimento que necessitam. Para tornar os serviços acolhedores aos jovens, pode-se:

  • Mostrar aos jovens que você gosta de trabalhar com eles.
  • Fazer o aconselhamento em locais reservado onde você não será visto nem ouvido. Garanta a confidencialidade e assegure à adolescente que ninguém saberá do teor da conversa.
  • Ouça cuidadosamente e faça perguntas abertas tais como “Em que posso ajudar você?” Ou “Que dúvidas você tem?”
  • Utilize linguagem simples e evite os termos científicos.
  • Use termos que se adequado aos jovens. Evite termos tais como “planejamento familiar”, que podem parecer irrelevantes para as pessoas que não são casadas.
  • Seja caloroso e receptivo com os parceiros e incorpore-os ao aconselhamento, caso a adolescente assim deseje.
  • Tente certificar-se de que as opções de uma adolescente sejam decisão sua e não resultado da pressão de seu parceiro ou família. Em particular, se ela estiver sendo pressionada a fazer sexo, ajude esta adolescente a refletir sobre o que pode dizer e fazer para resistir e diminuir a pressão.
  • Faça-a praticar suas habilidades em negociar o uso de preservativos.
  • Fale sem expressar julgamento (por exemplo, diga “você pode” ao invés de “você deve”). Não critique mesmo que você não aprove o que a jovem está dizendo ou fazendo. Ajude as adolescentes a tomarem decisões que sejam de seu interesse.
  • Dedique tempo para abordar as dúvidas, receios e falta de informação sobre sexo, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e métodos anticoncepcionais.

Muitas jovens precisam de alguém que lhes diga que as mudanças em seu corpo e emoções são normais. Esteja preparado para responder a questões mais frequentes sobre puberdade, menstruação, masturbação, ejaculação noturna e higiene genital.
Os jovens podem usar, com segurança, qualquer método anticoncepcional.
As adolescentes são, frequentemente, menos tolerantes com os efeitos colaterais que as mulheres mais velhas. Porém, por meio do aconselhamento, saberão o que podem esperar e assim ser menos provável que abandonem o método que estejam utilizando.
Jovens não casadas podem ter mais parceiros que as mais velhas e, por isso, podem enfrentar um risco maior de contrair DSTs. É parte importante do aconselhamento levar em conta o risco de DSTs e a maneira de reduzi-lo.
A Plataforma do Cairo citada pelo MS faz, entre outras, as seguintes recomendações para a garantia de direitos e saúde reprodutiva de adolescentes e jovens (parágrafo E, capítulo VII):

  • Encorajamento de um comportamento reprodutivo responsável e saudável;
  • Que os programas e atitudes dos agentes de saúde não limitem o acesso das (os) adolescentes aos serviços e informações de que necessitam;
  • Que os serviços resguardem o direito das (os) adolescentes à privacidade, confidencialidade, respeito e consentimento expresso;
  • Respeitem os valores culturais e crenças religiosas, bem como os direitos, deveres e responsabilidades dos pais;
  • Garantam mecanismos voltados para responder às necessidades peculiares dessa população, com a participação de ONGs e de movimentos organizados de adolescentes e jovens.

 

 

Bibliografia Selecionada

  1. Departamento de Saúde Reprodutiva e Pesquisa (SRP) da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Escola Bloomberg de Saúde Pública/Centro de Programas de Comunicação (CPC) da Universidade Johns Hopkins, Projeto INFO. Planejamento Familiar: Um Manual Global para Prestadores de Serviços de Saúde. Baltimore e Genebra: CPC e OMS, 2007. Disponível em: http://http://pdf.usaid.gov/pdf_docs/PNADL195.pdf. Acesso em: 06 maio 2015
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Marco teórico e referencial: saúde sexual e saúde reprodutiva de adolescentes e jovens. Brasília: Ministério da Saúde; 2006. (Série B. Textos Básicos de Saúde). Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/marco_teorico_referencial.pdf. Acesso em: 06 maio 2015