Como orientar o agente de saúde nas visitas domiciliares com psicólogo em famílias que não aceitam ir à unidade? A visita pode acontecer sem a aceitação da família?

A visita domiciliar (VD) é uma intervenção que faz parte da prática de todos os profissionais da APS, por isso a importância da sua dúvida. Na verdade, o profissional que trabalha especificamente com a VD é o agente comunitário de saúde (ACS). Eu começaria trabalhando com o grupo dos ACS sobre como podemos abordar saúde mental nas VD e como identificamos o sofrimento psíquico que pode demandar a escuta de outro profissional que não o ACS (no seu caso, a psicóloga da equipe). No caso específico, é importante saber qual a demanda daquela família e o motivo pelo qual o ACS pensa ser importante a presença do psicólogo. Sugiro para isso uma reunião de discussão de caso (educação permanente). É importante ter o psicólogo intervindo? Ele pode apenas ficar no papel de matriciador/supervisor do caso?
Para sensibilizar a família, a melhor maneira seria começar estabelecendo um bom vínculo com o ACS. Posteriormente, caso a família não queira consultar na US, com a psicóloga, o ACS pode sugerir à família que essa profissional o acompanhe numa próxima VD. No entanto, nenhum profissional da APS pode fazer uma “invasão” domiciliar. Não é adequado realizar qualquer VD sem o consentimento da família. Afinal, estamos no espaço mais privado e íntimo do usuário.
Caso a família consinta com a presença da psicóloga, é indicado que você faça as VD inicialmente com o ACS de referência da família que será visitada. Os motivos pelos quais o psicólogo atua em VD são os mais diversos: pacientes acamados (permanentemente ou temporariamente), mães com recém nascidos, pacientes restritos ao lar por dificuldades de deambulação na rua (ex: esquizofrenia, paranoias, fobias), pacientes terminais, famílias enlutadas, egressos de internações psiquiátricas, casos com resistência a ir até a US, alguma atividade de rastreamento ou vigilância em saúde ou simplesmente para conhecer melhor o território, suas famílias e necessidades de saúde. Em casos de maior sofrimento psíquico, o psicólogo deve avaliar se será necessário um acompanhamento ao longo do tempo – que pode se caracterizar como uma psicoterapia domiciliar, por exemplo – assim como a frequência das VD.