Como os Agentes Comunitários de Saúde podem orientar os idosos frente a epidemia de HIV/Aids?

Prevenção da infecção pelo HIV na terceira idade:
O marco referencial para a implementação de ações de prevenção está baseado na avaliação das vulnerabilidades individuais, sociais e programáticas nas quais os sujeitos estão inseridos. A partir da avaliação das vulnerabilidades os profissionais podem conduzir um processo de oferta de aconselhamento, testagem e orientações de prevenção para que o usuário dos serviços possa incorporá-las em sua vida cotidiana.
A qualificação da atenção integral à pessoa idosa deve levar em conta os fatores acima descritos, para que procedimentos básicos possam ser incluídos, fazendo com que os serviços de saúde acolham esse grupo. As intervenções de prevenção dirigidas aos idosos devem focar:

  • Estímulo ao acesso e utilização correta dos preservativos masculinos, femininos e aos lubrificantes.
  • Aumentar a conscientização da população com relação à promoção, prevenção, diagnóstico e assistência a esses agravos.
  • Identificar e desenvolver ações em parceria com os serviços existentes na comunidade (Casas de Apoio, Casas de Passagem etc.).
  • Identificar as pessoas com queixa sugestiva de DST e encaminhar para avaliação na Unidade Básica de Saúde.
  • Realizar o processo de programação e planejamento das ações de promoção à saúde e prevenção às DST/HIV/aids e UD envolvendo a comunidade.
  • Compreender as vulnerabilidades, a que podem estar sujeitas as pessoas, para o HIV e outras DST e, conseqüentemente, orientar melhor a comunidade sobre a adoção de práticas que minimizem ou eliminem essas vulnerabilidades.
  • Estimular a testagem para o diagnóstico precoce da infecção pelo HIV e da sífilis.
  • Identificar os grupos populacionais mais vulneráveis para o HIV e outras DST de sua comunidade, considerando-os prioritários para as ações de prevenção e controle desses agravos e promover ações que tanto facilitem o acesso desses grupos aos serviços de saúde, quanto possibilitem aos profissionais de saúde a superação de preconceitos e discriminação.
  • Estabelecer estratégias de busca ativa, respeitando os princípios da ética, sigilo e cidadania, que garantam a convocação dos(as) parceiros(as) de pessoas portadoras do HIV e/ou outras DST, prevenindo, assim, infecções e reinfecções.
  • Promover o envolvimento da comunidade e de lideranças locais na discussão e execução das ações de promoção, prevenção, diagnóstico e assistência referentes às DST/HIV/aids e temas correlacionados.

Os resultados dessas intervenções buscam reduzir o estigma que envolve as necessidades sexuais das pessoas idosas, para que estes possam discutir temas relacionados a sua sexualidade mais facilmente.
A realização das ações de prevenção nas Unidades Básicas de Saúde permitirá uma capilarização de ações, possibilitando que um número maior de pessoas idosas sejam orientadas e acessem os insumos.
Estudos comprovam que medidas de redução do risco de transmissão sexual do HIV incluem o uso de preservativos em todas as relações sexuais com penetração independente da idade da pessoa (Grau de Evidência A), a utilização de lubrificante a base de água como adjuvante do preservativo nas relações sexuais com penetração anal e vaginal (Grau de Evidência A). Redução do número de parceiros (Grau de Evidência B). Essas medidas reduzem o risco de transmissão do HIV independente da idade.
O serviço de saúde deve garantir confidencialidade e acesso humanizado para o usuário que deseja realizar o teste para o HIV e para o portador de DST/HIV/aids. Esta consideração deve envolver trabalhadores de todos os setores da Unidade. A pessoa idosa deve se sentir acolhida sem discriminação, independente de sua atividade profissional, orientação sexual ou estilo de vida. Grupos populacionais considerados mais vulneráveis, como por exemplo, profissionais do sexo, pessoas que usam drogas, homossexuais, travestis, sempre estiveram submetidos a julgamento moral. É importante e necessário reforçar o acolhimento destes segmentos populacionais no serviço como um direito de cidadania.

 

Bibliografia Selecionada

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Disponível em: http://dtr2004.saude.gov.br/dab/docs/publicacoes/cadernos_ab/abcad19.pdf. Acesso em: 06 maio 2015
  2. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde; 2006. (Série A. Normas e Manuais Técnicos – Cadernos de Atenção Básica, No. 19). Disponível em: http://dtr2004.saude.gov.br/dab/docs/publicacoes/cadernos_ab/abcad19.pdf. Acesso em: 06 maio 2015
  3. uncan BB, Schmidt MI, Giugliani ERJ. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 3a ed. Porto Alegre: Artmed; 2004.
  4. Imrie J, Johnson AM. Strategies for prevention. In: Adller MW, editor. ABC of Aids. 5th ed. London: BMJ Publishing Group; 2001. p. 99-105.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Coordenação Nacional de DST e AIDS. Secretaria de Assistência à Saúde. Coordenação de Saúde da Comunidade. Prevenção e controle das DST/HIV na comunidade: manual do agente comunitário de saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 1998. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/49prevencao_controle_manual.pdf. Acesso em: 06 maio 2015