Como proceder em casos de efeito adverso medicamentoso no tratamento da hanseníase?

Todo paciente em tratamento para hanseníase, com suspeita de efeitos colaterais indesejáveis causados pela medicação, deve ser avaliado na Unidade Básica de Saúde (UBS) para definição da conduta terapêutica a ser tomada, garantindo a integralidade da assistência e evitando o abandono do tratamento. (1)
A PQT (poliquimioterapia) é notavelmente segura e os efeitos adversos graves são muito raros. (2). Alguns efeitos adversos pouco graves podem ser resolvidos com orientações ao paciente na própria UBS, tais como (2,3):
– Urina vermelha: causada habitualmente pela Rifampicina. Deve-se assegurar ao paciente que é uma reação normal, e poderá permanecer durante algum tempo até depois de terminar o medicamento.
– Pigmentação marrom da pele: causada habitualmente pela Clofazimina. Informar ao paciente que é uma reação normal, e desaparecerá dentro de alguns meses depois de acabar o tratamento.
– Irritação gastrointestinal (náuseas e/ou vômitos): pode ser causada pelas três drogas. A orientação para diminuir o desconforto é ingerir os medicamentos juntamente com alimento.
– Alergia: como qualquer outro tipo de medicamento, pode ocorrer com o uso de qualquer das três drogas. O sinal mais comum é o forte prurido, manchas vermelhas/escuras na pele. Nestes casos, deve-se orientar ao paciente para parar de tomar os medicamentos e encaminhá-lo para avaliação na UBS.
– Anemia: causada habitualmente pela Dapsona. Deve-se administrar ferro e ácido fólico.

Já as reações adversas graves (reações alérgicas, hepatites, insuficiência renal, entre outras) são problemas complexos e devem ser tratadas com esquemas terapêuticos substitutivos indicados por especialistas focais dos serviços de saúde de maior complexidade. (2,4,5)

ATRIBUTOS APS Todo esforço deve ser feito para garantir que o paciente recém-diagnosticado com hanseníase complete seu tratamento conforme prescrito.(2) As reações adversas medicamentosas favorecem o abandono do tratamento, logo nenhum sintoma deve ser negligenciado e aqueles pacientes com suspeita de efeito colateral devem ter assegurado acesso irrestrito à UBS. EDUCAÇÃO PERMANENTE Em virtude de não existir proteção específica para a hanseníase, as ações a serem desenvolvidas para a redução da carga da doença incluem, entre outras, atividades de educação em saúde.(1) Educação em saúde é dirigida às equipes de saúde, aos casos suspeitos e doentes, aos contatos de casos índices, aos líderes da comunidade e ao público em geral. Visa prioritariamente: incentivar a demanda espontânea de doentes e contatos nos serviços de saúde para exame dermatoneurológico; eliminar falsos conceitos relativos à hanseníase; informar quanto aos sinais e sintomas da doença, importância do tratamento oportuno; adoção de medidas de prevenção de incapacidades; estimular a regularidade do tratamento do doente e a realização do exame de contatos; informar os locais de tratamento; além de orientar o paciente quanto às medidas de autocuidado.(1) SOF relacionadas:
  1. Qual o papel do agente comunitário de saúde no combate a hanseníase
  2. Qual a abordagem inicial para quadros de reações hansênicas