Como tratar o bruxismo na infância?

O tratamento deve estar direcionado ao fator etiológico envolvido na etiologia da prática do bruxismo. Assim, intervenções farmacológicas tradicionais ou alternativas (fitoterápicos), psicológicas, ortodônticas (uso de disjuntores e expansores) a fim favorecer o crescimento transversal da maxila, além do uso de placas oclusais rígidas podem reduzir o bruxismo em crianças, embora suas respectivas indicações, contraindicações e efeitos adversos devam ser analisados cuidadosamente e individualmente(1).

Quando  há  destruição extensa de tecido dentário, é feito o uso de restaurações temporárias ou permanentes, empregando técnicas de coroas indiretas ou diretas pediátricas.

Durante muito tempo, o bruxismo foi relatado apenas em adultos; entretanto, hoje sabe-se que este comportamento caracterizado por ranger, apertar os dentes, ou ainda, desviar a mandíbula sem encostar os dentes, durante o sono ou enquanto se está acordado (vigília), afeta mais crianças do que adultos, podendo persistir, se não tratado, até a adolescência(2). É preciso esclarecer os pais e responsáveis de crianças pequenas, que durante a erupção dos dentes decíduos é comum que haja adaptações e instabilidade na oclusão, por conta de dentes de diferentes tamanhos em boca, podendo ocorrer o bruxismo fisiológico, mas que a partir da dentição decídua completa, geralmente por volta dos 3 anos de idade, se este comportamento persistir, passa a ser considerado patológico. Ao longo da história, muitos fatores etiológicos foram associados ao bruxismo na infância, como a presença de maloclusões e de verminoses, mas não existem evidências científicas que comprovem tal associação. Fatores genéticos, hereditários (presença de outras pessoas bruxômanas na família), psicológicos (estresse, ansiedade, bullying) e outros capazes de excitar e inibir o sono, como a luz azul da tela de celulares e computadores, bem como a ingestão de alimentos como o café, refrigerantes e o chocolate estão envolvidos na etiologia do bruxismo(3). Outro aspecto que merece atenção na clínica odontológica infantil é a possível relação entre os distúrbios respiratórios crônicos, como as rinites, sinusites, otites e a asma, com a prática de ranger os dentes durante o sono, não só indiretamente, porque altera a qualidade deste último, tornando a criança mais vulnerável a ranger os dentes, mas também diretamente por determinar a obstrução das vias respiratórias e edema da mucosa da tuba auditiva. Diante deste conhecimento, torna-se fundamental o encaminhamento médico por parte dos dentistas de crianças com alergias respiratórias visando à redução das consequências das doenças respiratórias no tocante ao crescimento e desenvolvimento facial(4,5). Tratar adequadamente o bruxismo influenciará na qualidade de vida das crianças e de seu núcleo familiar por possuir relação  direta  com  a  dor  de  cabeça  e com  o  sono  agitado, conduzindo  a  um  desempenho  escolar  ruim devido à fadiga(6).