É necessário realizar profilaxia para strongyloides antes do tratamento com corticoides sistêmicos?

Pelo fato de o Brasil ser considerado uma região endêmica para strongyloides, está indicada a realização de teste sorológico para rastreamento de infecção por strongyloides para todos pacientes assintomáticos (sem suspeita de infecção ativa por strongyloides e sem eosinofilia) antes do início de um curso de corticoide com dose equivalente a prednisona 20 mg/dia ou maior e com expectativa de uso de no mínimo 2 semanas.

Os testes sorológicos (ELISA) para strongyloides (IgG) são bastante específicos e sensíveis em áreas endêmicas, apresentando um alto valor preditivo negativo, sendo muito úteis para descartar a possibilidade da infecção. Se o resultado do teste sorológico for negativo não é necessário realizar a profilaxia. Em pacientes imunocomprometidos (principalmente por neoplasias hematológicas, infecção pelo HTLV ou em quimioterapia) a sensibilidade é diminuída.

Se for necessário o início imediato do corticoide, não sendo possível aguardar o resultado do exame ou se os exames sorológicos não estiverem disponíveis, está indicado o tratamento empírico.

O medicamento de primeira escolha é a ivermectina na dose de 200 mcg/kg/dia por 2 dias consecutivos, não sendo necessário associar albendazol.  A associação de invermectina com albendazol está indicada apenas para o tratamento da hiperinfecção por strongyloides.