É possível reimplantar um dente decíduo?

As lesões traumáticas em dentes decíduos ocorrem frequentemente na primeira infância, cuja prevalência varia de 4 a 41,6%, acometendo os dentes anteriores superiores, em especial os incisivos centrais. “Constituem uma situação de urgência, não só pelos danos causados aos dentes, mas também por determinarem impacto emocional e psicológico que envolve a criança e sua família”(1).

Os principais fatores etiológicos dos traumas dentários na dentição decídua são as quedas, brigas, acidentes automobilísticos, práticas esportivas, maus-tratos, entre outros. Em razão do tecido ósseo dos maxilares em crianças pequenas ser mais esponjoso, torna-se comum traumas que envolvam os tecidos de suporte, como a avulsão dentária, definida como “o deslocamento completo do dente para fora do alvéolo, na qual o ligamento periodontal é rompido e pode ocorrer fratura do osso alveolar”(2). Embora existam profissionais especializados no mercado de trabalho, ainda não há um consenso acerca da melhor opção de tratamento a um dente decíduo avulsionado (3). Encontra-se na literatura uma controvérsia, sendo que alguns concordam com a prática de reimplantar um dente no alvéolo, já outros são contrários à prática (3,4). Portanto, o  Dentista deve usar bom-senso na escolha do tratamento a ser proposto, sem esquecer que os dentes decíduos são geneticamente programados para esfoliar, com predominância na região periapical de osteoclastos, células direcionadas à reabsorção. Além disso, a relação de proximidade entre o dente decíduo e seu sucessor permanente põe em risco automaticamente, quando aquele é reposicionado em seu alvéolo, os tecidos deste em formação, uma vez que neste período ocorrem os processos de desenvolvimento e mineralização dos dentes permanentes, que pode ser alterado de forma significativa por fatores externos, além de determinar possíveis agressões celulares que possam vir a estimular a formação até de determinados tumores na criança. Os ameloblastos são células altamente sensíveis e capazes de sofrer alteração ambiental durante o seu período de atividade. Um reimplante de dente decíduo pode atuar como trauma adicional, desencadeando malformações durante o período de deposição de esmalte. Entre as principais vantagens do reimplante encontra-se a manutenção da estética, angústia frequente dos pais, que preocupam-se com a aceitação social da criança, devido à perda prematura de um dente decíduo anterior (5), bem como a manutenção de espaço para os permanentes e um adequado crescimento facial. Quanto às indicações do reimplante de dentes decíduos avulsionados, na literatura, defende-se a realização de tal prática em crianças abaixo de 3 anos de idade, com a presença de pelos menos dois dentes adjacentes, sem lesão de tecido periodontal ou óssea associadas, cujo tempo de procura ao Dentista seja de até 30 minutos após o trauma e haja adequado armazenamento extra-oral do(s) dente(s) afetado(s)(leite, saliva ou água filtrada). “A falta de diretrizes para o reimplante de dentes decíduos avulsionados resulta em decisões baseadas mais em intuição do que critérios. Desse modo, não há base racional para conclusões sobre a melhor modalidade de tratamento para dentes decíduos avulsionados. No entanto, o protocolo de tratamento para os dentes permanentes avulsionados pode ser modificado e adaptado para se ajustar às necessidades específicas dos dentes decíduos” (3). Atributos da APS O agente educador responsável que deve divulgar o conhecimento científico à comunidade é o  Dentista e, sendo este chamado a intervir nos casos de avulsão dental, torna-se necessário que venha a buscar conhecimento técnico e científico sobre o assunto, de modo a possibilitar um melhor atendimento ao seu paciente.