Gestantes que apresentam sintomas de dengue podem desenvolver erisipela?

A Erisipela é de etiologia bacteriana e consiste de um processo infeccioso da pele, no qual atinge o tecido celular e se dissemina pelos vasos linfáticos do organismo infectado. Apesar de poder ocorrer em pessoas de qualquer idade, a erisipela é mais comum em portadores de diabetes, obesos e nos portadores de deficiência da circulação das veias dos membros inferiores.
A Dengue se desenvolve de forma similar em organismos de indivíduos gestantes e não gestantes. No entanto, a dengue pode ser confundida com outras doenças causadas por vírus e/ou bactérias, inclusive doenças como rubéola, sarampo e erisipela, por isso é importante observar se o quadro é mesmo erisipela ou está sendo confundido por um dos sinais clássicos da dengue. Assim, é possível que gestantes desenvolvam erisipela, pois pode ser desencadeada por fatores relacionados à imunidade da mulher e sua suscetibilidade. Em casos de gestantes que se enquadrem nessas condições, é importante uma maior atenção clínica na condução dos casos, principalmente quando apresentarem sinais e sintomas sugestivos da dengue. É necessário também uma maior vigilância aos sinais de complicação na gestante, principalmente na ocorrência dos sinais de alarme e choque, pois pode implicar em danos para o feto e também para a mulher. Nas práticas de cuidado, é melhor observar, com cautela, o caso de gestantes com sintomatologia sugestiva de dengue e simultaneamente com um quadro clínico de erisipela, e nessas situações, o diálogo entre todos os profissionais da equipe de Saúde da Família é crucial na garantia da integralidade da assistência e para a prevenção de complicações tanto para o feto quanto para a gestante.

Complementação A Dengue é uma doença infecciosa febril aguda, transmitida pelo mosquito Aedes aegpyti e está relacionado às questões de infraestrutura, saneamento ambiental e educação em saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, considera-se caso suspeito de dengue todo paciente que apresente queixa febril aguda, com duração máxima de sete dias, acompanhada de pelo menos dois ou mais sinais ou sintomas como cefaleia, dor retro-orbitária, mialgia, artralgia, prostração ou exantema, associados ou não à presença de sangramentos ou hemorragias, tendo estado nos últimos 15 dias em área com transmissão de dengue ou que tenha a presença do Aedes aegpyti. SOF relacionadas:
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Bibliografia Selecionada

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Dengue: diagnóstico e manejo clínico: adulto e criança.  4 ed. Brasília : Ministério da Saúde, 2013 . Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/dengue_diagnostico_manejo_clinico_adulto.pdf>.  Acesso em 24 de maio de 2016.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Área Técnica de Dermatologia Sanitária. Dermatologia na Atenção Básica de Saúde. 1.ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2002 ; (Cadernos de atenção básica n.9. Série A. Normas e Manuais Técnicos n. 174). Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guiafinal9.pdf>. Acesso em 24 de maio de 2016.