Como trabalhar com pacientes hipertensos e diabéticos que não aderem ao tratamento farmacológico e à dieta?

Adesão é muito mais que simplesmente cumprir determinações do profissional de saúde; é ter autonomia e habilidade para aceitar ou não as recomendações dos profissionais de saúde, tornando-se participantes ativos do processo de cura (Pontieri & Bachin, 2010).
O paciente torna-se mais ativo dentro deste processo de cura quando o vínculo com a equipe de saúde está fortalecido. Tendo em vista esta importância, o papel do agente comunitário de saúde (ACS) na adesão ao tratamento é essencial, pois é ele que aproxima o paciente da unidade de saúde.
A baixa adesão ao tratamento tem sido mencionada na literatura como um dos problemas mais importantes enfrentados pelos profissionais de saúde (OMS, 2003). Esta é frequentemente observada em situações que requerem tratamentos longos, complexos, de natureza preventiva e quando alterações no estilo de vida do paciente precisam ser realizadas, como ocorre no caso de doenças crônicas (diabetes e hipertensão) (Malerbi, 2000).
No caso do diabetes e hipertensão, o ACS pode trabalhar de forma simples e objetiva, dentro da sua competência, a importância de seguir um plano alimentar para o controle do diabético e/ou hipertenso; o incentivo à prática de atividade física; a importância de seguir corretamente a prescrição de medicamentos feita pelo médico; como fazer a interpretação se a glicose ou a pressão arterial está elevada ou controlada; a importância de seguir o tratamento para diminuir os riscos de desenvolvimento das complicações do diabetes e/ou hipertensão.
Um dos pontos facilitadores da adesão ao tratamento é a participação da família. O agente comunitário pode incentivar os familiares a aprender mais sobre diabetes e hipertensão, possibilitando um ambiente adequado ao tratamento dentro de casa, envolvendo todos os componentes da família.
Um dos recursos mais utilizados para promover a adesão ao tratamento do diabetes tem sido o oferecimento de programas educacionais, com o objetivo de preparar o indivíduo para lidar com suas novas necessidades, garantindo sua participação efetiva no processo de prevenção da doença e das suas complicações.
Nesses programas pode-se trabalhar o processo de educação sobre a doença, suas consequências e as vantagens de aderir o tratamento prescrito. Por exemplo, o paciente diabético que segue o plano alimentar proposto diminui enormemente o risco de ter problemas no coração, olhos, rins, etc. Este processo de educação deve acontecer de forma gradativa, contínua, interativa e adequada, considerando-se as características do paciente e através de atendimento individual ou realização de grupos com outros pacientes, na sala de espera, em visitas domiciliares, atividades específicas para diabéticos ou hipertensos, etc (Ferreira, 2009; Pontieri & Bachin, 2010).
O trabalho em grupo é muito útil nestes casos, pois possibilita o desenvolvimento de habilidades para lidar com os momentos de desmotivação, aliviando as pressões e temores da pessoa (Ferreira, 2009). E o agente comunitário pode atuar juntamente com a equipe nos grupos educacionais, aprendendo e dissipando o conhecimento sobre os assuntos tratados.
Enfim, a adesão trata-se de um processo progressivo que exige flexibilidade por parte da equipe. As mudanças vão correr de forma lenta e gradual, e pode ser que ocorram alguns retrocessos, dependendo de acontecimentos na vida do paciente, como casamento, separação, perda de entes queridos, perda de emprego, novo emprego, mudança de cidade, entre outras. Os profissionais precisam estabelecer combinações com os pacientes, como forma de promover uma relação de responsabilidades entre eles, de forma que cada avanço seja parte de um pacto de saúde estabelecido (Pontieri & Bachin, 2010).

Bibliografia Selecionada

  1. Assis MAA, Nahas MV. Aspectos motivacionais em programas de mudança de comportamento alimentar. Rev. Nutr., Campinas. 1999, 12(1): 33-41. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rn/v12n1/v12n1a03.pdf Acesso em: 11 mar 2013.
  2. Ferreira EAP. Adesão ao tratamento em portadores de diabetes: efeitos de um treinamento em análise de contingências sobre comportamentos de autocuidado [tese]. Brasília (DF): Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília; 2001.
  3. Ferreira EAP, Fernandes AL. Treino em Auto-Observação e Adesão à Dieta em Adulto com Diabetes Tipo 2. Psicologia: Teoria e Pesquisa. 2009, 25(4): 629-636. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ptp/v25n4/a19v25n4.pdf Acesso em: 11 mar 2013.
  4. Malerbi, F. E. K. (2000). Adesão ao tratamento. Em R. R. Kerbauy (Org.), Sobre o comportamento e cognição: psicologia comportamental e cognitiva. Conceitos, pesquisa e aplicação, a ênfase no ensinar, na emoção e no questionamento clínico – Vol. 5 (pp. 148–155). Santo André: ARBytes. Disponível em: http://abpmc.org.br/arquivos/publicacoes/14012300850591ae815c.pdf Acesso em: 11 mar 2013.
  5. Organização Mundial de Saúde – OMS (2003). Adherence to long-term therapies: Evidence for action [relatório]. Geneve: World Health Organization. Disponível em: http://whqlibdoc.who.int/publications/2003/9241545992.pdf Acesso em: 11 mar 2013.