Quais atividades educativas o Auxiliar em Saúde Bucal poderia realizar sem a presença do Cirurgião-Dentista?

A motivação e a educação em saúde são de extrema importância na promoção da saúde bucal da população e devem ser trabalhadas o mais cedo possível junto aos indivíduos. Desta maneira, a idade escolar é um período adequado para o trabalho de motivação, porque a criança já desenvolveu habilidades manuais e uma noção das relações de causa e efeito dos fatores que levam a ocorrência de doenças, o que contribui para entender a importância da prevenção (1). Algumas dinâmicas que podem ser trabalhadas com crianças

  1. DINÂMICA “TESTE DA LÍNGUA” (2)

a) Objetivo: desenvolver autonomia para identificação da placa bacteriana e adoção dos métodos adequados de deplacagem, compreendendo os objetivos da remoção da placa.
b) Materiais necessários: Escovas de dente em quantidade suficiente para todas as crianças participantes (pode-se pedir para que elas compareçam à atividade levando a sua própria escova);  Espelhos (de bolsa, de preferência com cabo) em quantidade correspondente a, pelo menos, metade dos participantes.
c) Procedimento: Faz-se um círculo e as crianças são convidadas a sentar. O coordenador deverá explicar que este é um encontro para fazer experiências que vão demonstrar os fatores e mecanismos que estão envolvidos na determinação da cárie, nos ajudando a entender o que podemos fazer para cuidar da nossa saúde bucal e evitar essa doença.

Para iniciar a reflexão acerca do tema e conhecer o que as crianças sabem a respeito e como esse conhecimento se aplica no dia-a-dia, o coordenador poderá começar fazendo perguntas, tais como:
  • O que vocês fazem para cuidar da saúde dos seus dentes?
  • Vocês costumam escovar os dentes?
  • Quando vocês escovam?
  • Por que escovam?
  • Vocês usam fio dental?
  • Quando?
  • Por quê?
É importante ir anotando as respostas – tantas quantas surgirem, sem crítica – em um flip-chart (ou quadro de giz/quadro branco, ou painel) para poder, depois, ir fazendo associações com os conteúdos que serão trabalhados e também para que as próprias crianças possam compará-las com as respostas dadas ao final da oficina. A partir das respostas dadas, o coordenador poderá introduzir a atividade seguinte. Se as crianças já tiverem demonstrado conhecer algo sobre placa bacteriana, esse será o “gancho” para fazer a proposta de fazer um “teste” que nos ajuda a reconhecer a placa. Outra forma de começar pode ser: “Vamos fazer uma experiência para saber o que fazemos quando escovamos os dentes? Alguém aqui já fez o ‘teste da língua’?! O primeiro passo é o seguinte: peguem suas escovas de dente e escovem somente os dentes do lado esquerdo da boca e apenas os dentes de cima. Escovem até acharem que eles já estão bem limpos” (o ideal é fazer essa atividade em um local onde haja um escovódromo, mas, se isso não for possível, providencie copos descartáveis para cada pessoa, a fim de que elas possam cuspir se precisarem). Agora, vamos fazer o ‘teste da língua’. Alguém sabe como é? O ‘teste da língua’ a gente faz passando a língua por todos os nossos dentes, começando pela parte que a gente não escovou até chegar aos dentes que estão escovados (é importante que o próprio coordenador demonstre como fazer). “Vocês percebem alguma diferença?” O coordenador deverá ir anotando os comentários das crianças a respeito das sensações que experimentaram ao fazer o “teste da língua”, classificando-as em duas colunas: 1) dentes limpos; 2) dentes sem escovação. Após compor esse quadro, o coordenador deverá fazer as associações entre os depoimentos das crianças e os conteúdos relativos à placa bacteriana, no que diz respeito a sua formação e consistência. O objetivo aqui é esclarecer que aquilo que puderam perceber pelo “teste da língua” é a presença de placa bacteriana, que tem esse nome por ser formada por grupos de bactérias que aderem aos dentes, concentrando-se principalmente naquelas partes onde é mais difícil chegar a escova. Deve-se estimular, também, a identificação visual da placa, por meio da observação com os espelhos. É importante ouvir as hipóteses das crianças sobre o que elas acham que forma a placa bacteriana para, então, poder estabelecer correlações e esclarecer a influência da alimentação na determinação da acidez bucal e aceleração da formação da placa, favorecendo o processo de desmineralização da superfície dental e consequentemente o surgimento da cárie. Concluindo a dinâmica, o coordenador poderá perguntar às crianças, então, para que escovamos os dentes, certificando-se de que tenha favorecido a compreensão de que o objetivo da escovação é a retirada da placa. Com o auxílio de macromodelos poderá introduzir a importância do uso do fio dental para melhor limpeza/deplacagem, por possibilitar atingir todas as faces do dente. É importante que as próprias crianças demonstrem a escovação no macromodelo bem como o uso do fio dental. 2) MÚSICA “MEUS DENTINHOS BRANQUINHOS” (CRIAÇÃO CD ETIANE CALLAI)-  melodia de “Atirei o Pau no Gato” os meus dentes bem branquinho-os eu vou te-e-er se escovar todo dia-a direitinho-o no café, no almoço e no jantar! Objetivo: Fixação da importância da escovação dentária após as refeições e antes de dormir Modo de funcionamento: Cantar fazendo gestos e desenhar algo que lembre dos horários em que se deve escovar os dentes para por na parede em casa 3) COMO É A NOSSA BOCA? a) Objetivo: propiciar o conhecimento e o reconhecimento de nossa boca. b) Material: papel sulfite, lápis de cor e massa de modelar. c) Procedimento:
  • pedir aos alunos que sentem no chão, em duplas, um em frente ao outro. O primeiro “examina” a boca do outro, invertendo-se os papéis em seguida. Pedir que observem o formato dos dentes, sua cor, a cor da língua, o tamanho dos dentes, etc. Se necessário explicar como esses aspectos podem ser observados.
  • cada aluno deverá, após o “exame” da boca de seu colega, fazer um desenho do que viu.
  • em seguida, cada um com o seu desenho, sentando-se à mesa, deverá reproduzir com a massa de modelar o que desenhou.
  • fazer uma “exposição” do que foi construído com a massa de modelar, colocando os trabalhos no centro da sala para que todos vejam.
  • levantar junto aos alunos suas hipóteses a respeito de: – qual a função dos dentes? – por que eles são diferentes? – qual a função da língua? – por que temos saliva na boca? – por que os dentes estragam?
  • a partir do que foi falado, complementar com informações adicionais as questões discutidas.
4) COMO É O “BICHO DA CÁRIE”? (3) a) Objetivo: trabalhar com os alunos suas hipóteses a respeito de como a cárie é causada. b) Material: papel sulfite e giz de cera. c) Procedimento:
  • distribuir o papel e o giz para as crianças, fazendo a seguinte proposta: “desenhem como vocês imaginam o bicho da cárie”.
  • após o término do trabalho, pedir às crianças que falem sobre os seus desenhos tentando fazer com que expressem o porquê imaginaram o bicho dessa forma.
  • exemplificar apresentando aos alunos a bactéria que causa a cárie em forma de desenhos ou de dispositivos, ou até mesmo através do microscópio. Explicar como ela agride a superfície dentária e como ela consegue sobreviver na boca.
É importante ressaltar que toda a atividade proposta deve ser discutida com o dentista da equipe. Sugestões de promoções de saúde oportunas A integralidade do cuidado deve ser estimulada através de ações que envolvam toda a equipe. Com adultos, sugerem-se as atividades que estão disponíveis na SOF "Quais dinâmicas sobre saúde bucal podem ser realizadas em um grupo de hipertensos?"