Quais dinâmicas são sugeridas para grupos em saúde?

O primeiro passo para realização de práticas educativas consiste na identificação das prioridades em saúde do local onde está inserida a Unidade de Saúde através de estudos epidemiológicos e levantamentos. A seguir deve-se começar o planejamento do grupo. De acordo com uma revisão publicada por Santos, a prática educativa em saúde não pode se tornar aulas por aulas, não se busca certificado em um grupo de educação em saúde!
Assim sendo, o recurso pode ser muito variável de acordo com as dinâmicas que se pretenda desenvolver; todavia é necessária, uma sala agradável e confortável, com ventilação, luminosidade e cadeiras suficientes, além de cortinas, quadro negro, retroprojetor, projetor de slides e até datashow (quando possíveis e existentes), giz, lápis, canetas, papéis para rascunho e colagens, cola, pincéis, tinta, rádio, gravador, televisão, CDs, e outros. Porém, a falta de alguns materiais deve suscitar a criatividade e a otimização dos recursos da região, onde o serviço de saúde esteja locado. Daí, uma escola, igreja, creche, indústria, ou outro recurso social pode emprestar ou ceder material para o grupo, e até espaço programado para a realização deste, dentro de uma parceria e negociação necessárias a esta prática social.
Em relação aos temas esses podem seguir uma estrutura mínima, que privilegie as necessidades do grupo, mas sempre de forma que o usuário seja participante ativo desta decisão. A linguagem a ser usada num grupo educativo é um aspecto importante. O profissional de saúde deve não só conhecer o nível de escolaridade dos clientes, como também termos e linguagem da região, para que as falas deste não sejam inadequadamente interpretadas.
Quanto às dinâmicas sugere-se que a cada reunião se modifique o enfoque e se traga novos atrativos, como exemplo de atrativos pode-se em um dia combinar com o grupo que todos os pacientes terão sua pressão arterial aferida, em outro dia pode-se combinar uma caminhada em grande grupo. Para realização de atividade física sugere-se convidar um educador físico que vá até a Unidade e explique os benefícios da atividade física e faça um alongamento junto aos integrantes do grupo antes dar inicio a caminhada. A equipe de saúde poderá contar os agentes comunitários para que os grupos que caminham em velocidades diferentes estejam sempre acompanhados de alguém da Unidade de Saúde.
Outras sugestões são ainda convidar uma nutricionista para abordar alimentação de pacientes hipertensos e diabéticos. A distribuição de receitas de pratos saudáveis, práticos de fazer e a distribuição de tabelas de calorias usualmente trás bons retornos, especialmente nos grupos onde predominam as mulheres.
A construção de uma pirâmide alimentar em uma grande cartolina e com recortes de revistas trazidos pelos participantes do grupo é bastante útil, pois todos participam de forma ativa e aprendem sobre a importância de uma alimentação balanceada.
Uma dinâmica interessante para grupos que não tem restrições alimentares é a da caixa de bombons onde todos os participantes ficam em circulo e cada um escolhe o bombom que mais gosta, ao final das escolhas cada participante deverá passar o seu bombom para o colega ao lado fazendo com que todos reflitam sobre as suas escolhas e discutam isso no grupo, ou seja, o que para mim é o melhor nem sempre é o melhor para o outro.
Uma dinâmica que tem como objetivo facilitar a memorização dos nomes dos integrantes do grupo é a seguinte: uma das pessoas inicia a atividade identificando-se e atribuindo-se uma qualidade, contendo a mesma letra pela qual inicia seu primeiro nome. A partir de então, todos permanecem revelando seus nomes e as qualidades eleitas, considerando que a pessoa que se apresenta posteriormente, deve repetir a fala anterior, até a manifestação completa dos participantes.
Para grupos em que se deseja abordar obesidade e alimentação pode-se fazer a seguinte dinâmica: são fornecidos quatro pedaços de papel e uma caneta para que, individualmente, cada integrante do grupo possa escrever duas duvidas e duas certezas em relação ao que é solicitado. Após, os papéis são dobrados e depositados em uma urna, a qual, ao som de uma música, percorre por todos. Ao cessar a música, a pessoa que fica com a urna deve retirar um dos bilhetes depositados e ler seu conteúdo. Sendo uma dúvida, o participante deve responder e se for uma certeza, deve opinar. Essa atividade propicia uma discussão bastante relevante, pois torna possível, a partir de avaliações emitidas pelos próprios integrantes do grupo, elucidar algumas crenças sobre julgamentos erroneamente incorporados e elaborar adaptações que levam em conta comportamentos mais adequados em detrimento das condições nocivas à saúde.
Pode-se propor ao grupo trabalhar com as recomendações abordadas em nível ambulatorial. Apresenta-se uma série de desenhos que retratam situações relacionadas ao tema em questão: figuras de alimentos, pessoa verificando seu peso, equivalência entre as refeições, alimentos hipercalóricos, realização de atividade física, entre outros. As ilustrações são distribuídas aos participantes que devem expor seus entendimentos diante do que lhes é exibido. São exploradas as noções relativas ao componente comportamental.
Outra sugestão para que o grupo seja mais participativo é que a cada encontro um dos integrantes coordene o grupo durante metade da reunião.
Por fim, ressalta-se que o grupo deve ter periodicamente um evento comemorativo, seja ele a festa dos aniversariantes do mês, a comemoração de aniversário do próprio grupo ou ainda de uma data como Páscoa, Natal, Dia do Amigo, pois esses momentos fortalecem os vínculos e quebram a rotina dos grupos. Os grupos podem ainda organizar feiras de saúde junto à equipe de saúde ou ainda participar de forma ativa no dia de combate a dengue, campanhas etc.