Há indicação para uso rotineiro de anti-helmínticos para crianças?

Em áreas endêmicas o tratamento em massa com dose única de mebendazol ou albendazol para todas as crianças em idade escolar a cada 4 meses tem sido usado em alguns países em desenvolvimento. Isto serve para duas funções: tratar as crianças e reduzir a carga de vermes na comunidade. Além disso, terapia comunitária em massa tem demonstrado redução na carga de ascaris e pequena redução na transmissão, entretanto há um efeito maior sobre a gravidade da infecção do que na prevalência geral de verminose. Essa abordagem tem-se mostrado custo-efetiva. Devido às reinfecções ocorrerem tão frequentemente, intervalos curtos entre tratamentos têm-se mostrado preferíveis. (Grau B)
Num estudo realizado com escolares em Zanzibar o uso de mebendazol em dose única 3 vezes no ano diminuiu em 97% a intensidade da infecção por ascaris se comparado com os controles e o uso 2 vezes no ano diminuiu em 63%, também comparado com os controles que não utilizaram mebendazol. (Grau B)
O uso profilático (pacientes assintomáticos) de metronidazol não foi estudado.
Para as crianças que não estão em idade escolar deve-se proceder o tratamento somente com diagnóstico confirmado ou mediante suspeita clínica.

Para menores de dois anos com diagnóstico confirmado ou com suspeita clínica pode-se utilizar os seguintes fármacos:
  • Metronidazol (amebíase e balantidíase)
  • Mebendazol (ancilostomíase, ascaridíase, enterobíase, tricuríase)
Não estão indicados para menores de 2 anos:
  • Albendazol
  • Praziquantel
  • Ivermectina
  • Tetraciclina (balantidíase) - contraindicada para menores de 8 anos
As medidas individuais para profilaxia e controle das parasitoses intestinais são:
  • Uso de calçados
  • Lavagem das verduras e das frutas
  • Fervura e/ou filtração da água para consumo
  • Cocção adequada da carne de bovinos e suínos
  • Lavagem das mão antes das refeições unhas limpas e curtas
  • Higiene pessoal
  • Proteção dos alimentos contra poeira e insetos
As medidas comunitárias são:
  • Construção e uso de latrinas e fossas sépticas
  • Suprimento de água potável
  • Promoção do desenvolvimento de hábitos higiênicos, em geral, e abolição do costume de defecar no solo
  • Proscrição da matéria fecal humana como adubo
  • Educação para a saúde, esclarecendo como são contraídas as enteroparasitoses, quais os efeitos produzidos, a importância do tratamento precoce e como evitá-las
  • Participação comunitária em todos os programas de controle e erradicação das parasitoses intestinais (Grau A e B)