Há risco de interação medicamentosa entre anestésicos locais e anticonvulsivantes?

Interações clinicamente significantes entre anticonvulsivantes e anestésicos locais não são conhecidas, embora o uso de lidocaína com adrenalina seja preconizado(1). Assim como a utilização de seringa carpule com aspiração para evitar injeção intravenosa(1).

Uma avaliação pré-operatória do médico responsável pelo paciente é recomendável, principalmente no caso de haver alterações recentes na evolução da doença que o paciente apresenta(2).

Anestésicos locais têm propriedades pró-convulsivante e anticonvulsivante devido ao efeito estabilizador de membrana(3). Em doses pequenas, os anestésicos locais reduzem o fluxo sanguíneo e o metabolismo cerebral, bem como a atividade elétrica cerebral, e atuam como anticonvulsivantes, sedativos e analgésicos, enquanto em doses elevadas atuam como droga pró-convulsivante, diminuindo o limiar convulsivo no córtex cerebral, amídala e hipocampo, o que leva a convulsões generalizadas(3). A toxicidade sistêmica relacionada com a anestesia regional é causa de crise convulsiva em aproximadamente 5/10.000 pacientes, sendo mais frequente com o uso da bupivacaína, podendo ser observada inclusive com os anestésicos locais de uso mais recente(3).   Atributos da APS: [Acesso] É importante que durante a consulta odontológica no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), investigue-se medicações de uso contínuo, doenças de base, além de episódios de convulsão. Esta investigação é de suma importância principalmente frente a necessidade de um procedimento que envolverá o uso de anestésicos. [Longitudinalidade/Integralidade] O acompanhamento odontológico da comunidade assistida pela Estratégia Saúde da Família (ESF),  faz parte do processo de promoção da saúde bucal das populações, assim como, a integralidade do sistema encaminhando os casos que necessitem de tratamento especializado aos Centros de Especialidades Odontológicos –CEOs de cada região.