Nas visitas domiciliares do Agente Comunitário de Saúde a idosos acamados, que pontos devem ser observados? E quais são as orientações gerais para cuidadores e familiares?

“É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária”
Estatuto do Idoso(1)
Na visita domiciliar, é possível estabelecer, junto aos familiares, um suporte maisadequado às necessidades específicas da pessoa idosa, negociando com familiares e/ou cuidadores cada aspecto desse cuidado. Nesse contexto, o Agente Comunitário de Saúde tem papel de fundamental importância, pois muitas vezes representa o elo entre a família da pessoa idosa e a equipe de saúde. Uma das maneiras mais importantes de ajudar as pessoas é oferecer informação. As pessoas que possuem informações estão mais bem preparadas para controlar a situação em que se encontram(2).
Algumas orientações devem ser individualizadas, dependendo do problema de saúde do idoso e do plano terapêutico traçado entre a equipe de saúde, a família e o próprio idoso acamado.
Contudo, alguns aspectos devem sempre ser avaliados pelo ACS:

  • Condições de moradia
    Avaliar de forma cuidadosa as condições de moradia da família, em especial no que diz respeito ao risco de quedas. No quadro abaixo, algumas situações de alto risco para quedas:

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  • Violência Intra familiar e Maus Tratos contra a pessoa idosa
    A pessoa idosa, encontra muitas vezes, dificuldades em verbalizar que sofre maus-tratos, negligência ou alguma outra forma de violência intra familiar, em muitos casos, demonstra medo ou ansiedade na presença do cuidador ou de familiar. No entanto, isso pode ser identificado por meio da observação de lesões, equimoses, úlceras de decúbito, desidratação ou ainda nas demonstrações de não aceitação em responder a perguntas relacionadas ao assunto violência. Isso é outra forma de comunicação não verbal que nos alerta das suas dificuldades nas relações familiares. É necessário estar atento para o que o idoso fala ou não fala, como se comporta, seus gestos, suas expressões faciais. Isso pode comunicar muito mais do que somente a avaliação das suas lesões, déficits ou incapacidades e talvez seja essa a única oportunidade de detectar tais situações.
    A pessoa idosa torna-se mais vulnerável à violência na medida em que apresenta maior dependência física ou mental. O convívio familiar estressante e cuidadores despreparados ou sobrecarregados tendem a agravar essa situação.
  • Avaliação do Estresse do Cuidador
    A seguir, algumas questões que podem ajudar a identificar o estresse no cuidador (não perguntar na presença da pessoa idosa!)
  • Você acha que cuidar de NOME DO IDOSO(A) afeta de forma negativa seu relacionamento com outros membros da família ou amigos?
  • Você acha que NOME DO IDOSO(A) depende de você?
  • Você acha que sua saúde foi afetada por causa do seu envolvimento com NOME DO IDOSO(A)?
  • Você acha que NOME DO IDOSO(A) pede mais ajuda do que ele(a) precisa?
  • Você acha que está tendo tempo suficiente para si?
  • Você se sente sobrecarregado por cuidar de NOME DO IDOSO(A)?
  • Você gostaria de simplesmente deixar que outra pessoa cuidasse de NOME DO IDOSO(A)?
  • Você acha que será capaz de cuidar de NOME DO IDOSO(A) por muito mais tempo?
  • Vacinação
    Verificar se a pessoa idosa realizou a vacina da gripe, ou a vacina pneumocócica (quando indicado pela equipe)
  •  O uso de medicamentos pelas pessoas idosas
    Importante avaliar quem é o responsável por administrar as medicações, se é a própria pessoa idosa, seus familiares ou cuidadores. Verificar se o responsável está administrando o remédio na hora correta, e se não existe confusão entre as medicações em uso. O idoso está aceitando bem a medicação? Sempre estimular a participação do idoso no seu cuidado, quando possível(3).

Bibliografia Selecionada

  1. Brasil. Presidência da República. Parecer No 1.301, DE 2003. Redação final do Projeto de Lei da Câmara nº 57, de 2003 (nº 3.561, de 1997, na Casa de origem). Dispõe sobre o Estatuto do Idoso e dá outras providências [Internet]. Senado Federal, Brasília, DF; 2003 Set 23 [citado 2009 Out 30]. Disponível em: http://www.senado.gov.br/web/relatorios/destaques/2003057RF.pdf Acesso em: 30 outubro 2009.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Guia prático do cuidador. Brasília: Ministério da saúde; 2008. (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Disponível em: http://www.parkinson.org.br/imagens/guia_cuidador/Guia_Pratico_Cuidador.pdf Acesso em: 30 outubro 2009.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde; 2006. (Série A. Normas e Manuais Técnicos ; Cadernos de Atenção Básica, n. 19). Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_saude_pessoa_idosa_envelhecimento_v12.pdf Acesso em: 30 outubro 2009.