O que devemos saber sobre a Febre do Chicungunya?

DEFINIÇÃO: A Febre do Chicungunya (CHKV) é uma doença aguda causada pelo vírus chicungunya, vírus RNA, do gênero Alphavirus, pertencente à família Togaviridae. Trata-se de arbovirose, transmitida aos humanos pelos mosquitos Aedes, mesmos vetores responsáveis por transmitir o vírus da dengue. Seu nome deriva do Makonde, língua falada pelo grupo étnico Makonde do sudeste da Tanzânia e norte de Moçambique, cujo significado “dobrar-se, pender sobre o próprio corpo”, remete à posição tomada pelo doente, em decorrência de forte dor articular, muitas vezes incapacitante, associada à doença.

EPIDEMIOLOGIA: Considerada primariamente doença tropical, sua distribuição geográfica ocorria mais frequentemente na África, Ásia e ilhas do Oceano Índico. Nas últimas décadas, porém, observou-se expansão territorial do vírus, alcançando países europeus como Itália e França, através de viajantes, onde foram descritos surtos com transmissão autóctone estabelecida. Mais recentemente, em fins de 2013, a transmissão autóctone (local) foi documentada na América Central, na região do Caribe. Os primeiros casos autóctones notificados no Brasil ocorreram em 2014, sendo notificados até o momento em algumas cidades no Amapá, Bahia, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

RELEVÂNCIA DA DOENÇA: A Febre do CHKV é doença de grande importância no cenário da saúde pública, e apesar de mostrar baixa letalidade, caracteriza-se por apresentar alta morbidade. A doença já afetou milhões de pessoas e continua a causar epidemias em muitos países.Artralgias persistentes podem interferir na qualidade de vida do paciente e em suas atividades laborais. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: O quadro clínico é inespecífico, constituindo-se de sinais e sintomas comuns a várias doenças infecciosas. Febre alta de início agudo (até 7 dias) e artralgia/artrite (não explicada por outras condições), geralmente simétrica, migratória, com presença de edema, podendo ser debilitante, acometendo especialmente mãos, punhos, tornozelos e pés são os achados mais frequentes. Articulações maiores como joelhos, ombros e coluna também podem ser afetados. Cefaleia, mialgia, dor nas costas, náuseas, vômitos, exantema, poliartrite e conjuntivite podem também estar presentes. Quadros graves com manifestações hemorrágicas, neurológicas, cardiovasculares e renais graves são raros, mas podem ocorrer. A doença é em geral auto-limitada com a maior parte dos pacientes recuperando em 1 a 3 semanas. Porém, contingente significativo de pacientes pode cursar com quadro de artrite de longa duração, persistindo por meses a anos, podendo ocorrer acometimento articular intenso. Considerando a duração dos sintomas, o Chicungunya pode determinar doença aguda (duração de até semanas), subaguda (de semanas até 3 meses) e crônica (duração > 3 meses). Por apresentar quadro clínico e epidemiológico similar a outras doenças infecciosas, é importante considerar na investigação outras hipóteses diagnósticas como dengue, malária, sarampo, rubéola, meningococcemia, febre amarela, febre de mayaro, hepatites virais, leptospirose, febre maculosa, doença de lyme, febre reumática e artrite reumatóide. Até o momento no Brasil, a informação epidemiológica de história de viagem nos últimos 15 dias para locais onde ocorre a transmissão é muito útil. MEDIDAS DE PREVENÇÃO As medidas de prevenção podem ser pensadas em termos de proteção individual e coletiva e incluem uso de vestimentas que reduzam a área de pele exposta, repelente (especialmente em situações de viagens para áreas de transmissão) e mudança de hábitos que evitem condições que propiciam a multiplicação dos vetores. As medidas que reduzem os criadouros para os vetores são de responsabilidade individual e dos órgãos de saúde pública. Todos os casos suspeitos devem ser mantidos sob mosquiteiros durante o período febril da doença. Não existe vacina disponível até o momento, mas seu desenvolvimento está em progresso. A atuação da rede primária de saúde como porta de entrada preferencial, através da equipe da saúde da família, é fundamental na suspeição precoce da doença, na classificação de risco e na orientação aos pacientes. Como as manifestações clínicas da Febre do Chicungunya são semelhantes, deve-se alertar os pacientes e a comunidade em geral a evitar o uso de anti-inflamatórios na fase aguda da doença e estimular a ingestão de líquidos. Monitoramento dos grupos de risco e atenção às descompensações de doenças de base são fundamentais na prevenção de evoluções de maior gravidade. Nos locais onde não se registra ainda ocorrência de casos autóctones deve-se investigar histórico de viagens a áreas onde existe a circulação do vírus. Por se tratar de situação dinâmica, informações epidemiológicas nacionais e internacionais devem ser atualizadas e disponibilizadas para os profissionais de saúde e para a comunidade. SOF relacionadas:
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