O que o Agente Comunitário de Saúde deve saber sobre psoríase?

A psoríase é uma doença inflamatória crônica e recorrente, multifatorial. Ela pode surgir em qualquer faixa etária, sendo habitualmente mais graves os casos que se iniciam na infância. As causas da psoríase são ainda desconhecidas e admite-se que múltiplos fatores estejam envolvidos. Aproximadamente 30% dos pacientes relatam que algum parente tem a mesma doença. Entre outros fatores envolvidos podem estar: traumas (físicos, químicos ou psíquicos), infecções, distúrbios endócrinos ou metabólicos, como os associados ao alcoolismo, e fármacos, como o lítio, os beta bloqueadores, os antimaláricos e os anti-inflamatórios não esteróides.
É importante deixar claro para os pacientes e seus familiares que essa NÃO é uma doença contagiosa, ou seja, que compartilhar talheres, pratos, copos, dormir na mesma cama ou usar as mesmas roupas, beijar etc. não transmite a doença. Há uma hipótese de que essa doença seja mais comum entre os que têm familiares já portadores, ou seja, a genética sim é fator importante para psoríase.
A multiplicidade de fatores desencadeantes faz de sua abordagem terapêutica uma das tarefas mais difíceis, por isso esses pacientes devem ser sempre avaliados, acompanhados e tratados por médicos.
Em relação às orientações aos pacientes e familiares deve-se explicar que a doença é recorrente, ou seja, que o paciente pode não apresentar nenhum sinal ou sintoma e a partir de um fator desencadeante como stress, alteração emocional, infecção ou trauma voltar a apresentar as lesões. De acordo com especialistas a exposição aos raios solares traz benefícios a grande maioria dos pacientes, portanto pode-se orientar que os pacientes se exponham ao sol, mas SEMPRE lembrar dos horários prejudiciais a saúde, da proteção com filtro solar e da necessidade de avaliação médica do caso.
Por fim, ressaltamos a importância do trabalho em equipe junto a esses pacientes e as comunidades onde os mesmos estão inseridos. Os agentes comunitários de saúde devem estar atentos e vigilantes em relação aos preconceitos sofridos por estes pacientes e aptos a fornecer orientações de que essa não é uma doença que se transmite pela saliva, suor e uso comum de utensílios domésticos.

Bibliografia Selecionada

  1. Duncan BB, Schmidt M, Giugliani ER. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 3a ed. Porto Alegre: Artmed; 2004.