Qual a abordagem da odontologia frente aos riscos de efeitos adversos dos bifosfonatos?

Considerando que, no momento, muitas questões sobre o osteonecrose dos maxilares associada ao uso de bifosfonatos permanecem não elucidadas, não parece fácil fornecer recomendações definitivas sobre as estratégias preventivas mais úteis no contexto odontológico(1). Mas deve-se destacar o cuidado quanto a condução de procedimentos cirúrgicos conservadores, ambiente estéril adequado, uso adequado de desinfetantes orais e antibióticos eficazes são as recomendações sugeridas a serem seguidas ao tratar pacientes com história de uso de bifosfonatos(2).

No caso de problemas documentados, é sugerido remover ou curetar os locais que apresentam alto risco de infecção. Os pacientes devem ser instruídos a evitar qualquer procedimento odontológico invasivo e a preferir a terapia odontológica conservadora, se possível(2).

Os bisfosfonatos são medicamentos amplamente administrados a pacientes portadores de metástases tumorais em tecido ósseo e a pacientes com osteoporose(1,3). A droga reduz a reabsorção óssea, estimula a atividade osteoblástica, assim como inibe o recrutamento e promove a apoptose de osteoclastos(1,3). Os objetivos primários da administração destes fármacos são melhorar a morfologia óssea, prevenir a destruição óssea e as fraturas patológicas, e reduzir a dor associada com a doença óssea metastática enquanto desaceleram a reabsorção óssea(1). Ressalta-se que uma colaboração estreita entre paciente, médicos, e cirurgiões-dentistas se torna fundamental para a prevenção, rápida identificação e tratamento da osteonecrose dos maxilares associada ao uso de bifosfonatos(2).   Atributos da APS: [Orientação Profissional] É importante que, durante a anamnese realizada na consulta odontológica, questione-se sobre doenças prévias e atuais. Em caso de lesões tumorais ósseas ou osteoporose deve-se atentar para o tipo de tratamento utilizado e, caso o paciente esteja fazendo uso de bifosfonatos, seja orientado quanto ao risco de tratamento invasivo neste momento e qual a melhor conduta. É necessário que o paciente compreenda bem os riscos para que possa participar da tomada de decisão, lembrando que agilizar o acesso a consulta odontológica é um importante atributo da atenção básica. [Longitudinalidade] É interessante que este paciente seja acompanhado ao longo do tempo por uma equipe multiprofissional, haja vista que o motivo que o levou ao uso de bifosfonatos foi provavelmente uma condição que provoca alterações biopsicossociais. Caso o procedimento odontológico invasivo ainda seja necessário, deve-se avaliar o momento mais seguro para a tomada de decisão, evitando assim iatrogenias. [Coordenação do Cuidado] É de responsabilidade da Atenção Primaria à Saúde (APS) a oferta de serviços de atenção multiprofissional a pacientes que assim o necessitem. Caso o paciente tenha indicação para uma especialidade não disponível na rede, compete a APS o encaminhamento para Centros de Especialidades Odontológicos (CEOs) de cada região.