O uso do ciclo 21 após a amamentação exclusiva por 6 meses pode prejudicar o bebê?

O Ciclo 21 é um contraceptivo oral que combina o componente estrogênico (etinilestradiol) e o componente progestogênico (levonorgestrel), e pertence ao grupo dos contraceptivos orais combinados. Pertence, portanto, ao conjunto de métodos de terceira escolha.(6)

Tanto os critérios de elegibilidade médica para o uso de contraceptivos da Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto do CDC (Centers for Disease Control and Prevention, dos EUA) não apresentam restrições ao uso de contraceptivos orais combinados pelas mulheres que amamentam após os seis meses do parto. Embora em ambos haja uma recomendação mais forte pela utilização dos métodos exclusivamente progestagênicos (ou demais métodos não hormonais) enquanto perdurar a amamentação.(4,7)

Para a OMS, os contraceptivos combinados não são recomendados para uso por lactantes menos de seis semanas após o parto, geralmente não são recomendados entre seis semanas e seis meses após o parto e podem ser utilizados a partir dos seis meses após o parto.(7)Para o CDC, os contraceptivos combinados não são recomendados para uso por lactantes menos de seis semanas após o parto.(4)   Não foi encontrado na literatura consultada qualquer registro de prejuízo ao bebê lactente quando a mãe faz uso de anticoncepcional combinado a partir dos seis meses após o parto, apesar da bula do medicamento (Ciclo 21®) afirmar textualmente que: ""pequenas quantidades de contraceptivos esteroidais e/ou metabólitos foram identificadas no leite materno e poucos efeitos adversos foram relatados em lactentes, incluindo icterícia e aumento das mamas.(3,5) A lactação pode ser influenciada pelos contraceptivos orais combinados, uma vez que podem reduzir a quantidade e alterar a composição do leite materno. Em geral, não deve ser recomendado o uso de contraceptivos orais combinados até que a lactante tenha deixado totalmente de amamentar a criança. (8)   A contracepção hormonal durante a lactação tem seu uso limitado devido aos efeitos na qualidade e quantidade do leite materno, transferência de hormônios para o recém-nascido (RN) e possíveis alterações no crescimento infantil. A Academy of Breastfeeding Medicine afirma que é prudente considerar todos os métodos contraceptivos hormonais como tendo algum risco de diminuição na produção de leite(²). (A)   Por este motivo, quando já não está mais indicado o método de lactação e amenorreia, ou quando a mãe que amamenta deseja outro método de planejamento familiar, pode-se indicar os seguintes métodos (apresentados por ordem crescente no potencial impacto no sucesso do aleitamento materno)(¹) :   • métodos de primeira escolha: planejamento familiar natural, métodos de barreira e dispositivos intra-uterinos (DIU);   • métodos de segunda escolha: métodos hormonais exclusivamente progestogênicos; e   • métodos de terceira escolha: métodos hormonais que contenham estrogênio.