O uso ininterrupto de AAS é indicado para prevenção secundária de Acidente Vascular Cerebral Isquêmico e Infarto Agudo do Miocárdio? Qual a dosagem ideal e o que deve ser avaliado?

Sim, o uso ininterrupto de Ácido Acetil Salicílico (AAS) está indicado na prevenção secundária de Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCi) e Infarto Agudo do Miocardio (IAM)(1, 2,3,4). As pessoas que tomam AAS na prevenção secundária de eventos cardiovasculares, por dois ou mais anos de terapia diária, sofrem menos de IAM, AVCi e morte, de acordo com recentes meta estudos(2,3,4,5).

A eficaz ação antitrombolítica do AAS é acompanhada de uma preocupação com o potencial hemorrágico. Diferentes dosagens têm sido adotadas, variando entre 20 a 1300mg, em meta-análises de prevenção de AVCi. A maioria dos estudos evidencia que doses entre 75 e 150mg/dia de AAS são tão eficazes quanto doses mais altas de 150mg a 325mg(2). Além disso, mesmo para doses muito baixas, entre 30mg(6) a 50mg/dia(7), há estudos que afirmam que o AAS pode ser eficaz(1). O uso de baixa dose apoia-se em observações laboratoriais que evidenciam que 30mg/dia de AAS atua na inibição completa da produção de tromboxano A2(8). Considerando a equivalência dos benefícios em diferentes dosagens de AAS para a prevenção do AVCi e o aumento do risco de complicações hemorrágicas gastrointestinais em dose alta de AAS, a recomendação recente, baseada em estudos de meta-análise, é uma dose de 50 a 100 mg/dia de AAS para a prevenção secundária de AVC(1). Esta recomendação é aproximada à dose de 100mg/dia recomenda nas diretrizes brasileiras(10).

O AAS, antiagregante plaquetário, inibe a enzima ciclooxigenase, reduzindo a produção de tromboxano A2, um estimulador da agregação plaquetária. Isso interfere com a formação de trombos, reduzindo assim o risco de IAM e AVCi(1). Ressalta-se que o uso do AAS é contraindicado em seguintes situações de: hipersensibilidade conhecida ao AAS ou outros salicilatos, história de asma induzida pela administração de salicilatos ou substância com ação similar, úlcera gastrointestinais agudas, diátese hemorrágica, discrasia sanguínea, insuficiência renal grave, insuficiência hepática grave, insuficiência cardíaca grave, no último trimestre de gravidez(1). Também, recomenda-se usar com cuidado nos casos de: pólipos nasais e outras doenças alérgicas, hipertensão não controlada, desidratação, deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase e consumo exagerado de álcool, insuficiência renal, cirurgias (suspender o uso 1 a 2 semanas antes do procedimento para reduzir o risco de sangramento excessivo), uso de bebida alcoólica (risco de sangramento gastrintestinal), ocorrência de zumbidos ou perda de acuidade auditiva (suspender o uso), idosos (mais susceptíveis aos efeitos tóxicos dos salicilatos), tabagismo, diabetes, obesidade, dor abdominal(1). O clopidogrel 75 mg/dia é uma opção para pacientes que não podem usar AAS. O Ticlopidine deve ser usado apenas para pacientes com contraindicação absoluta à aspirina e ao clopidogrel(1,11).