Os anticoncepcionais injetáveis mensais combinados são contraindicados na lactação?

O uso de anticoncepcionais injetáveis mensais combinados entre as nutrizes deve ser evitado por pelo menos até o sexto mês após o parto para prevenir os riscos sobre a composição, qualidade e quantidade do leite materno, bem como afetar adversamente a saúde do bebê(1,2).

Apesar de haver algumas lacunas na literatura, a contracepção hormonal durante a lactação tem seu uso limitado devido aos possíveis efeitos na qualidade e quantidade do leite materno, ao risco de transferência de hormônios para o recém-nascido (RN) e a possibilidade de alterações no desenvolvimento infantil(3,4). É importante lembrar que, diferentemente dos anticoncepcionais orais combinados (em que os hormônios estrogênio e progestogênio são sintéticos), os anticoncepcionais injetáveis mensais possuem em suas diferentes formulações a presença de um estrogênio natural, o estradiol, combinado com um progestogênio sintético(1,3). Neste sentido, vale a pena ressaltar que, mesmo em puérperas que não irão amamentar (por contraindicação médica, por opção ou qualquer outro motivo), os anticoncepcionais hormonais combinados orais, não devem ser prescritos nas primeiras seis semanas pós-parto, da mesma forma que os injetáveis mensais também não são recomendados antes de três semanas (21 dias) pós-parto devido ao elevado risco de trombose venosa e arterial nestas pacientes(1,3,4). Um outro risco, apontado pelo Ministério da Saúde (MS), é a possibilidade desses anticoncepcionais hormonais injetáveis causarem acidentes vasculares, tromboses venosas profundas ou infarto do miocárdio, principalmente em mulheres fumantes (mais de 20 cigarros/dia) e com idade igual ou superior a 35 anos(1,2). A assistência em anticoncepção pressupõe a oferta de todas as alternativas de métodos anticoncepcionais aprovadas pelo MS, bem como o conhecimento de suas indicações, contraindicações e implicações de uso, garantindo à mulher, ao homem ou ao casal os elementos necessários para a opção livre e consciente do método ao qual melhor se adaptem. Pressupõe, ainda, o devido acompanhamento médico à usuária, independentemente do método escolhido(3,2). Dessa forma, as instâncias gestoras do Sistema Único de Saúde (SUS), em todos os seus níveis, sobretudo na Atenção Primária à Saúde (APS), devem garantir a atenção integral à saúde que inclua a assistência à concepção e à contracepção(1,3).