Por que alguns pacientes que tiveram Arbovirose Chikungunya continuam com artralgia por um longo período de tempo?

Os mecanismos fisiopatológicos da dor musculoesquelética e da artrite crônica após infecção pelo vírus da chikungunya são parcialmente conhecidos. Acredita-se que esses sintomas sejam decorrentes do escape precoce do vírus da chikungunya do interior dos monócitos e consequente realocação nos macrófagos sinoviais. Essa hipótese tem sido reforçada pela observação da persistência, por tempo prolongado, do vírus da chikungunya em tecidos musculares, articulares, hepático e linfoide.

Após a fase subaguda, alguns pacientes poderão ter persistência dos sintomas, principalmente dor articular e musculoesquelética. As manifestações têm comportamento flutuante. A prevalência desta fase é muito variável entre os estudos, podendo atingir mais da metade dos pacientes. Os principais fatores de risco para a cronificação são a idade acima de 45 anos, desordem articular preexistente e maior intensidade das lesões articulares na fase aguda. A poliartrite distal com artropatia deformante em alguns casos pode vir acompanhada de exacerbação das dores articulares e depressão com fadiga crônica. Indica-se anti-inflamatório não hormonal para alívio do componente artrítico. O uso de analgésicos mais potentes como morfina ou uso de corticosteróides podem ser necessários para pacientes com dor intensa que não obtiveram alívio com os anti-inflamatórios não hormonais. Injeções intra-articulares de corticóide e uso de metotrexate são alternativas para pacientes com sintomas articulares refratários; Fisioterapia deve ser instituída gradualmente. Nesse cenário o paciente deve ser acompanhado pelo reumatologista. Alguns medicamentos são usados em quadros persistentes subagudos ou crônicos (Cloroquina, Aciclovir, Ribavirina, Interferon-alfa, Corticóide, Anticorpos monoclonais e Methotrexate), porém ainda não existem ensaios clínicos robustos que demonstrem eficácia dos mesmos. Atributos da APS: Acesso - Os profissionais da APS devem facilitar o acesso dos pacientes com sinais e sintomas de infecções febris e dores articulares. Longitudinalidade -  É importante o acompanhamento desses pacientes ao longo do tempo, pois com o vínculo é possível conhecer suas fragilidades e individualizar o seguimento. Pode-se ainda identificar aqueles com rede social frágil e dificuldade com as medicações, muitas dessas questões podem ser acompanhadas e acessadas pelos próprios ACS nas visitas domiciliares. Coordenação do Cuidado - A equipe de saúde deve estar ciente e participar de recomendações que o paciente possa receber em serviços de pronto atendimento, ambulatórios especializados ou com outros profissionais fora do território de atuação do Centro de Saúde. Sof Relacionada: Existe deformidade articular causada pela artrite da Chikungunya?