Quais anti-hipertensivos podem ser utilizados na gestação?

O tratamento farmacológico inicial de escolha para hipertensão na gestação é feito com Metildopa, pois é a droga mais estudada e sem efeitos adversos para o feto. A dose inicial é de 250 mg, 2 a 3 vezes ao dia, aumentando a cada 2 dias conforme necessário, utilizar até de 6 em 6 horas (dose máxima de 3000 mg/dia). As contraindicações são hipersensibilidade, doença hepática ativa e uso concomitante com inibidores da Monoamina Oxidase (MAO).

Quando houver necessidade de uma segunda droga para controle da pressão arterial ou quando a Metildopa não estiver disponível, pode-se utilizar a Nifedipino de liberação lenta (Retard) de 30 a 90 mg/dia (aumentar em intervalos de 7 dias; dose máxima 120 mg/dia) ou Hidralazina 25 mg, meio comprimido, quatro vezes ao dia (aumentando de 12,5 a 25 mg/dia a cada 2 a 4 dias; dose máxima 200 mg/dia).

A escolha deve ter por base o acesso à medicação e o perfil de efeitos adversos. Anlodipino e Verapamil podem ser consideradas drogas alternativas, porém há poucos dados sobre o uso dessas medicações na gestação. Clonidina também pode ser utilizada, porém devido a efeitos adversos e risco de rebote, outras medicações são preferidas. Para gestantes portadoras de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) crônica que estão em uso de anti-hipertensivos, com pressão arterial abaixo de 120/80 mmHg e sem lesão em órgão-alvo, recomenda-se reduzir ou mesmo descontinuar o tratamento e iniciar monitoramento cuidadoso da pressão arterial. Quando houver necessidade de manutenção do tratamento, diuréticos tiazídicos podem ser mantidos. No entanto, na presença de pré-eclâmpsia e/ou crescimento intrauterino restrito (CIUR), devem ser descontinuados. Deve-se sempre suspender o uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina ECA (Captopril, Enalapril), antagonistas dos receptores da Angiotensina II (Losartan) e de Espironolactona. A manutenção de betabloqueadores deve ser avaliada individualmente, uma vez que sua segurança é controversa e foram associados em estudos observacionais com CIUR, apneia neonatal, bradicardia e hipoglicemia. Deve-se considerar manter o uso em casos de arritmia ou cardiopatia isquêmica, por exemplo. Dentre os betabloqueadores, preferir o uso de Metoprolol. Na HAS não-complicada, o alvo da pressão é de 130 a 150 mmHg de sistólica e de 80 a 100 mmHg de diastólica. Em pacientes com HAS complicada (lesão em órgão-alvo, doença cardiovascular concomitante) o alvo é de 120 a 140 mmHg de sistólica e de 80 a 90 mmHg de diastólica. Os anti-hipertensivos utilizados na HAS crônica não protegem contra a progressão para pré-eclâmpsia sobreposta. Na suspeita de pré-eclâmpsia, a paciente deve ser avaliada em Emergência Obstétrica/ Centro Obstétrico imediatamente. Crise hipertensiva na gestação (pressão arterial sistólica maior ou igual a 160 mmHg ou pressão arterial diastólica maior ou igual a 110 mmHg) também é indicado encaminhamento para Emergência Obstétrica/ Centro Obstétrico.