Quais as complicações em mulheres que apresentam diabetes pré-gestacional? É necessário mudar a medicação durante a gestação?

A ocorrência de gestações em mulheres com diabetes pré-gestacional tem aumentado nas últimas décadas, segundo as estatísticas(1). O diabetes pré-gestacional pode resultar em complicações graves, sendo que seu efeito começa na fertilização e implantação, afetando de modo particular a organogênese. Esse fato faz aumentar o risco de aborto precoce, defeitos congênitos graves e retardo no crescimento fetal, sobretudo nos casos tratados de maneira inadequada. Além das complicações no concepto, as manifestações maternas também são relevantes, em especial na presença prévia de complicações, como retinopatia, neuropatia, nefropatia e vasculopatia(2).

Referente ao tratamento medicamentoso, somente o profissional médico poderá fazer a prescrição da medicação adequada para uso durante a gestação, que nem sempre precisa ser substituída. Deve-se individualizar o caso e tratar cada paciente conforme sua necessidade. Caso a mulher já faça tratamento de diabetes e descubra a gravidez, deverá ser agendada consulta com endocrinologista para avaliação da medicação.

É fundamental que a mulher que tenha diabetes faça sempre o controle adequado, sobretudo durante a gestação, pois o diabetes descompensado pode resultar em complicações no desenvolvimento fetal e na gestação(3). É importante salientar que não basta o obstetra de alto risco para esse acompanhamento, mas também um endocrinologista para que seja realizada a consulta de forma integral. Portanto, nesses casos o ideal é que a gestante seja acompanhada pelos dois especialistas.

Outras complicações como abortamentos espontâneos, macrossomia do concepto e complicações perinatais são mais frequentes em diabéticas com controle glicêmico inadequado pré-gestacional(4). Em casos de Diabetes tipo 2, a obesidade materna e o ganho de peso acima do recomendado estão associados aos piores resultados obstétricos(5,6). A partir do 2º trimestre é comum a necessidade de aumentar a dose de insulina devido a um aumento na resistência periférica à mesma(3), porém deve-se individualizar o caso. Não obstante, estados hiperglicêmicos durante a gestação podem afetar os filhos dessas mulheres não só ao nascer, mas também em longo prazo, pois aumenta os riscos dessas crianças desenvolverem obesidade, síndrome metabólica e diabetes na vida adulta(3,6).