Quais as contraindicações do anestésico lidocaína com felipressina na odontologia?

A lidocaína associada a vasoconstritores como a felipressina está contraindicada  em pacientes que apresentam alterações cardiovasculares(1). Pacientes com Angina, Infarto Agudo do Miocárdio recente (ou até 6 meses após), AVC recente, submetidos a Cirurgia de Revascularização, Arritmias, Insuficiência Cardíaca, entre outras alterações cardiovasculares não devem fazer uso de vasoconstritor associado de anestésico em procedimentos odontológicos(2). Em pacientes cuja única patologia associada identificada seja Hipertensão, cujos valores pressóricos estão controlados não há restrições para o uso de vasoconstritor, onde sugere-se a escolha de prilocaína associada a felipressina(1,2).

Assim, o paciente pode usar vasoconstritor adrenalina 1:100.000 sendo indicado não exceder mais do que 2 tubetes em cada atendimento, podendo também usar vasoconstritor felipressina 0,03 UI/ml, juntamente com a prilocaína 3%, os quais não produzem alterações no sistema cardiovascular(2).

No entanto destaca-se que as apresentações comerciais normalmente associam lidocaína aos seguintes vasoconstritores: adrenalina, epinefrina, noradrenalina e fenilefrina. Destes, as combinações mais comumente utilizadas na odontologia são: lidocaína+epinefrina ou lidocaína+adrenalina. Estudos experimentais e clínicos demonstram que doses usuais anestésicas, quando há participação dos vasoconstritores adrenérgicos, podem levar a manifestações clínicas, principalmente as relacionadas à elevação da pressão arterial acompanhada de taquicardia ou bradicardia de natureza compensatória(3). A lidocaína e a prilocaína possuem exatamente as mesmas ações sobre o sistema cardiovascular(3). No entanto, a prilocaína é aproximadamente 40% menos tóxica que a lidocaína, provavelmente devido à velocidade de biotransformação, sendo a da prilocaína maior que a da lidocaína(3). Estudos experimentais têm demonstrado que o cloridrato de felipressina é desprovido de efeitos diretos sobre o miocárdio e não apresenta ações arritmogênicas(3). Em pacientes com patologias na circulação coronariana(2) , felipressina ou octapressin podem causar crises de angina com isquemia miocárdica. Felipressina também aumenta a pressão arterial diastólica de pacientes hipertensos com pressão arterial controlada(2). Complementação: Os anestésicos locais, quando cuidadosamente administrados e dentro de limites de dosagem terapêutica recomendada, têm um elevado índice de segurança(2). Entretanto, com a alta incidência diária de anestesia local regional, talvez não seja surpresa que reações adversas sistêmicas sejam relatadas com regularidade(2). As bases anestésicas mais utilizadas atualmente são a lidocaína, prilocaína, mepivacaína, articaína, bupivacaína e etidocaína, uma vez que os anestésicos locais do grupo éster estão caindo em desuso devido ao seu maior potencial alergênico(2).   Atributos da APS: O acesso às consultas, também as odontológicas, é um importante atributo da atenção básica. Sua realização resolutiva e segura compõe a integralidade do sistema de saúde. Os casos que necessitem de tratamento especializado devem ser referenciados aos Centros de Especialidades Odontológicos (CEOs) de cada região.

Bibliografia Selecionada

1. Malamed SF. Manual de anestesia local. São Paulo: Elsevier. 6 ed. 2013:428p. 2. Carvalho B, Fritzen EL, Parodes AG, Santos RB, Gedoz L. O emprego dos anestésicos locais em Odontologia: Revisão de Literatura. Rev Bras Odontol. 2013;70(2):178-81. Disponível em: http://revodonto.bvsalud.org/pdf/rbo/v70n2/a16v70n2.pdf 3. Perez FEG, Rocha RG, Carnaval TG, Borsatti MA, Allegretti CE. Efeitos cardiovasculares da anestesia local de prilocaína 3% com felipressina e lidocaína 2% em normotensos. RPG Rev Pos Grad. 2011;18(3):134-9. Disponível em: http://revodonto.bvsalud.org/pdf/rpg/v18n3/a02v18n3.pdf