Quais as evidências científicas para o uso do Guaco na Atenção Primária à Saúde?

A Mikania glomerata Spreng pertence à família Asteraceae e conhecida popularmente como Guaco. Está nas folhas da planta a maior concentração do marcador químico (a Cumarina). As folhas de Guaco são comumente usadas ​​como um extrato, xarope ou infusão para o tratamento de bronquite, asma e tosse, por sua ação broncodilatadora, expectorante e supressora da tosse. Observações experimentais sobre a eficácia do uso do Guaco em doenças das vias respiratórias são consistentes, e alguns estudos têm demonstrado os mecanismos da sua ação. 1,2
A dose diária recomendada é de 0,5 a 5 mg de cumarinas3 e a posologia é determinada pelo fabricante, dependendo da forma farmacêutica e do cálculo da quantidade de cumarina aproximada em cada dose. Recomenda-se que crianças de dois a cinco anos utilizem 1/3 da dose e crianças acima de cinco anos ½ da dose recomendada para adultos.
Devido ao potencial anticoagulante da cumarina, o uso do Guaco é contraindicado em crianças menores de um ano e gestantes. Além disso, o seu uso prolongado do Guaco pode provocar acidentes hemorrágicos pelo antagonismo à vitamina K e potencializar a ação da Warfarina e de outros medicamentos dessa classe4.

Fitoterápicos a base de Mikania Glomerata Spreng fazem parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) e os municípios podem adquiri-los pelo componente básico da Assistência Farmacêutica5. A recomendação do xarope de guaco nos casos de tosse proveniente de gripes e resfriados contribui com a integralidade da atenção, valoriza o conhecimento popular e é de fácil acesso e baixo custo. SOF relacionadas:
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