Quais as indicações para o uso de estatinas?

A dislipidemia, doença decorrente da elevação dos níveis de colesterol e/ou triglicerídeos, é considerada um fator de risco modificável e independente para eventos cardiovasculares. Portanto, independente dos demais fatores de risco presentes, a presença de dislipidemia indica o início do tratamento.
O LDL é considerado fator causal e independente de aterosclerose e sobre o qual se deve agir para diminuir a morbimortalidade.
O poder preditor de risco e a meta lipídica adotada para prevenção irão variar dependendo da associação com outros fatores de risco. As diretrizes e revisões bibliográficas recomendam que para todos os níveis de risco as modificações no estilo de vida (MEV*) devem ser indicadas, sendo elas: hábitos alimentares saudáveis, prática regular de atividade física e abandono do tabagismo.
O tratamento farmacológico dependerá do nível de risco, dos níveis de LDL e da eficácia das MEV em modificar os fatores de risco.
Os fatores de risco para aterosclerose que modificam as metas de colesterol-LDL são: fumo, hipertensão arterial sistêmica (PA maior ou igual a 140/90 mmHg), HDL (<40 mg/dL), diabetes mellitus, idade (igual ou maior que 45 anos para homens e 55 anos para mulheres), história familiar precoce de aterosclerose (parentes de 1º grau < 55 anos homens e < 65 anos mulheres).
O colesterol HDL > 60 mg/dL é considerado um fator protetor, devendo ser descontado um fator de risco da soma.
Os níveis de prevenção são: prevenção primária, primária de alto risco (risco absoluto de eventos coronários de 20% em 10 anos – segundo Escore de Risco de Framingham) e secundária (diabéticos e portadores de aterosclerose).
Pacientes com baixo risco (risco absoluto de eventos menor que 10% em 10 anos), geralmente são indivíduos com um fator de risco – exceto DM – além de colesterol LDL > 160 mg/dL). Médio risco significa risco de evento >10%, porém menor do que 20% em 10 anos.
Alto risco são pacientes com risco de evento maior ou igual a 20% em 10 anos ou acima de 20% extrapolando-se a idade para os 60 anos de vida. O perfil lipídico desejado será sempre colesterol total < 200 mg/dL, HDL-C > 40 mg/dL e triglicerídeos < 150 mg/dL.

Pessoas com baixo risco (Escore de Risco de Framingham (ERF):

LDL-C (mg/dL)

Orientação

Verificação

Até 159

MEV*

6 meses

160 -190

MEV

3 meses

> 190

Tratamento farmacológico

Pessoas com médio risco (ERF):

LDL-C (mg/dL)

Orientação Verificação

até 160

MEV

3 meses

> 160

Tratamento farmacológico

Pessoas com alto risco (ERF):
LDL-C (mg/dL) Orientação Verificação

100 – 129

MEV

3 meses

> 130

Tratamento farmacológico

Bibliografia Selecionada

  1. Santos RD. III Diretrizes Brasileiras sobre Dislipidemias e Diretriz de prevenção da aterosclerose do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2001 [citado 2008 Nov 6];77(suppl 3):1-48. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/abc/v77s3/a01v77s3.pdf Acesso em: 10 maio 2010.
  2. Santos R.D. et al. Prevenção da Aterosclerose – Dislipidemias. In: Associação Médica Brasileira; Conselho Federal de Medicina; Sociedade Brasileira de Cardiologia. Projeto Diretrizes [Internet]. São Paulo: A associação; 2001 [citado 2010 Jan 13]. Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/040.pdf Acesso em: 10 maio 2010.
  3. Pignone M. Primary prevention: dyslipidaemia. In: Godlee F. Clinical Evidence; 2007.
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