Quais as orientações os Agentes Comunitários de Saúde podem dar para gestantes com toxoplasmose?

A partir da suspeita ou da confirmação de que a gestante é portadora de toxoplasmose em sua fase aguda o tratamento medicamentoso deve ser imediatamente instituído.
Em 90% das vezes a doença não causa sintomas, portanto os cuidados para evitar que a infecção pelo Toxoplasma Gondii ocorra devem ser orientados antes mesmo da concepção e incluem: cozinhar bem a carne, lavar bem frutas e vegetais, lavar as mãos após manusear carnes cruas, frutas e vegetais, não limpar ou mexer as fezes de gatos e usar luvas ao mexer no jardim. Moscas e baratas também podem transportar cistos. Durante a consulta de pré-natal devem ser solicitados exames de sangue que avaliem a imunidade da gestante, pois na maioria das vezes as gestantes já tiveram contato com a doença e são imunes, o que significa que não contrairão a doença durante a gestação e que conseqüentemente não transmitirão a doença ao bebê. Nos casos de imunidade não há necessidade de que as orientações sejam exaustivamente repassadas.
Nos casos em que a gestante não está imunizada e é infectada entre 10 e 24 semanas de gestação, o risco de seqüelas importantes para o recém-nascido é de 5-6 por cento. Quando a mãe é infectada em um período mais tardio da gestação, a chance de o bebê apresentar seqüelas é pequena. Sabendo-se que a infecção da gestante é recente, há muitas formas de verificar se o feto foi afetado. O líquido que envolve o feto ou o sangue fetal podem ser examinados para determinar a presença da infecção. Entretanto, se o feto estiver infectado, estes exames não demonstram a gravidade da doença. Cerca de um terço dos bebês com toxoplasmose congênita apresentam problemas que podem ser diagnosticados pela ecografia. Após o nascimento, um exame de sangue deve ser realizado pelo bebê.
A toxoplasmose materna pode ser tratada com sucesso com determinados antibióticos. O diagnóstico precoce e o tratamento diminuem as chance de infecção fetal. Caso o bebê já tenha sido infectado, o tratamento com outras medicações podem tornar a doença menos severa. Entretanto, o tratamento pode não prevenir os efeitos no bebê. O tratamento durante o primeiro ano de vida pode ser muito útil. Bebês com toxoplasmose congênita geralmente não apresentam nenhuma alteração ao nascimento. Ainda assim, estudos a longo prazo mostram que mais de 90 por cento desenvolvem problemas de cegueira, surdez, e retardo de desenvolvimento. Estes sintomas podem surgir meses ou anos após o nascimento. Por esta razão, crianças com toxoplasmose congênita devem ser tratadas durante o primeiro ano de vida e periodicamente examinadas.
Dessa forma, conclui-se que o papel do Agente Comunitário de Saúde (ACS) é fundamental para EVITAR que as gestantes sejam infectadas. Após a infecção materna aguda pelo Toxoplasma Gondii os ACS devem estar aptos a amparar a gestante e sua família e a esclarecer eventuais dúvidas que possam ocorrer. Nesse momento os ACS devem estar atentos aos sintomas de depressão que podem se desenvolver após o diagnóstico e caso isso seja observado devem comunicar imediatamente ao médico assistente de sua equipe para que possa dar conforto e tratamento a essa paciente. Os ACS devem orientar sobre a importância do uso correto das medicações.
Não existe evidencia de mudança na alimentação da paciente traga algum beneficio adicional ao tratamento, portanto os cuidados do ACS para com as gestantes portadoras de toxoplasmose se fundamentam no apoio emocional, facilitação de consultas caso necessário, controle rigoroso sobre o uso da medicação prescrita pelo médico assistente e explicação de que a medicação prescrita não acarreta riscos para a gravidez.