Quais as orientações sobre saúde bucal devem ser repassadas para os cuidadores de pacientes com Paralisia Cerebral?

| 8 novembro 2018 | ID: sofs-41953
Solicitante:
CIAP2:
DeCS/MeSH: , , , , ,

As orientações referentes à saúde bucal que devem ser repassadas aos cuidadores de pacientes com Paralisia Cerebral são as seguintes: colocar pouco creme dental durante a higienização da cavidade bucal(1); utilizar escovas dentais pequenas(1); utilizar toalha enrolada na mão para abrir a boca de pacientes com espasmos musculares, ou abridor de boca confeccionado com espátulas de madeira, gaze e esparadrapo(1,2); introduzir alimentos adstringentes na dieta como cenouras cruas, maças, rabanetes, talo de salsão, erva doce, etc., quando é possível mastigar (1); massagear as gengivas com gaze umedecida em pacientes que não mastigam, para remover restos alimentares, matéria alba, placa bacteriana (1) e diminuir a inflamação e o sangramento gengival. Essa gaze poderá ser umedecida em solução de clorexidina 0,12% e escovar, sempre que possível, todas as faces dos dentes(1).


É importante conscientizar os cuidadores que, devido à Paralisia Cerebral (PC), a musculatura orofacial é hipotônica, o que, associado à respiração bucal, torna o paciente xerostômico (1,3). Isso aumenta o índice de cárie e de doença periodontal (1,4,5). Devido à movimentação anormal da sua musculatura facial, a cavidade bucal pode apresentar retenção prolongada de alimentos, com comprometimento da função de autolimpeza (4,5). A prevenção deve ser o ponto mais importante do tratamento odontológico dos pacientes com Paralisia Cerebral.
Os cuidadores dos pacientes com paralisia cerebral devem ser sensibilizados pela equipe de saúde sobre o elevado comprometimento motor e limitações na realização das atividades da vida diária, conferindo-lhes um alto grau de dependência (5). É importante informar aos familiares que a pessoa com paralisia cerebral não pode ser confundida com aquela que tem uma deficiência intelectual. A paralisia cerebral é um distúrbio de motricidade, isto é, são alterações do movimento, da postura, do equilíbrio, da coordenação, com a presença variável de movimentos involuntários (4).

Bibliografia Selecionada:

1. Varellis MLZ. O Paciente com Necessidades Especiais na Odontologia: manual prático. 2ª edição. São Paulo: Santos, 2013:558p.
2. Universidade Federal de Sergipe.Instrutivo com Dicas de Saúde Bucal para Pessoa com Deficiência autorizado divulgação pela Coordenadora do Departamento de Diagnóstico Oral – Odontologia para Paciente Especial (UDOPE) da  Ignez Aurora dos Anjos Hora – Cirurgiã-dentista.
3. Nucleo de Telessaúde Espírito Santo. Biblioteca Virtual em Saúde-BVS. Segunda Opinião Formativa-SOF. Qual conduta adotar em pacientes com xerostomia?  | 01 ago. 2016 | ID: sof-31817. Disponível em: http://aps.bvs.br/aps/qual-conduta-adotar-em-pacientes-com-xerostomia/
4. Caldas Jr. AF, Machiavelli JL. Atenção e Cuidado da Saúde Bucal da Pessoa com Deficiência: protocolos, diretrizes e conduta para cirurgiões-dentistas. Recife: Editora: Universitária da UFPE. 2013:231p. Disponível em: https://cvtpcd.odonto.ufg.br/up/299/o/Livro_-_Eixo_2_-_Cirurgi%C3%B5es-dentistas.pdf?1504016031
5. Lemos ACO, Katz CRT. Condições de saúde bucal e acesso ao tratamento odontológico de pacientes com paralisia cerebral atendidos em um centro de referência do Nordeste – Brasil. Rev CEFAC. 2012 Out 14( 5 ): 861-871. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-18462012000500012&lng=pt&tlng=pt