Quais as possíveis complicações da COVID-19 em crianças, e quais cuidados devem ser orientados aos familiares?

Habitualmente as crianças desenvolvem quadros leves e moderados da COVID-19, mas, assim como as demais síndromes gripais, as complicações desta infecção são, fundamentalmente, as respiratórias: Pneumonia e Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA). Complicações relacionadas a descompensação de doenças de base também podem ocorrer. Além de recomendar o uso de medicações sintomáticas e hidratação, os familiares devem estar atentos aos sinais de gravidade. Caso presentes, a criança deve ser avaliada imediatamente por um profissional de saúde. Entre os sinais de agravamento do quadro, destacam-se(1):

Persistência da febre por mais de 3 dias ou recorrência dela;

Falta de ar ou dificuldade para respirar;

Ronco, retração sub/intercostal severa;

Cianose central;

Batimento da asa de nariz;

Ritmo respiratório irregular;

Saturação de oximetria de pulso <95% em ar ambiente;

Taquipneia

Extremidades frias, tempo de enchimento capilar < 2 segundos;

Pulsos periféricos diminuídos ou ausentes

Inapetência para amamentação ou ingestão de líquidos;

Diminuição do débito urinário

Piora nas condições clínicas de doença de base;

Alteração do estado mental

Desde abril foram relatados, inicialmente na Europa e América do Norte e mais recentemente em vários países da América Latina, casos de uma síndrome rara grave em crianças e adolescentes, que apesar de ainda não ser possível afirmar que é uma complicação da infecção pelo Sars-Cov-2, está temporalmente associada à COVID-19. A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Grave Pediátrica (SIM-P) ocorre em dias a semanas após a infecção aguda pelo SARS-CoV-2. As crianças e adolescentes com SIM-P podem apresentar rápida progressão para formas graves da doença. Febre persistente, sinais inespecíficos como hiperemia conjuntival, náuseas, vômitos e rápida progressão para insuficiência circulatória, chamam atenção para a SIM-P e o manejo ocorre em âmbito hospitalar. Importante destacar que crianças que apresentam doenças de base, após avaliação clínica presencial, devem ser monitoradas  a cada 24 horas, quanto a evolução para doença moderada ou grave, através de telemonitoramento, por exemplo. Além da observação dos sinais de agravamento já elencados, a equipe de saúde, através de perguntas objetivas estima a gravidade do caso e pode recomendar atendimento de urgência em Unidade de Pronto Atendimento(UPA) ou através do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Sugestões de perguntas a serem feitas: O cuidador acha que a criança está muito doente? Está com falta de ar em repouso ou com pequenos movimentos respiratórios (dispneia)? Está com sensação de desmaio (hipotensão)?(4)   As doenças de base incluem: crianças que são portadoras de doenças cardíacas descompensadas, doença cardíaca congênita, insuficiência cardíaca mal controlada, doença falciforme, doenças respiratórias descompensadas, doenças pulmonares intersticiais com complicações, fibrose cística com infecções recorrentes, displasia broncopulmonar com complicações, crianças com doença pulmonar crônica da prematuridade, doenças renais crônicas em estágio avançado, pacientes em diálise, transplantados de órgãos sólidos e de medula óssea, imunossupressão por doenças e/ou medicamentos(em vigência de quimioterapia/radioterapia, entre outros medicamentos), portadores de doenças cromossômicas e com estados de fragilidade imunológica (ex.: Síndrome de Down), diabetes , doença hepática em estágio avançado, obesidade(1).