Quais as possíveis patologias associadas à presença de plaquetas aumentadas como achado casual e como confirmar?

As plaquetas (trombócitos) normais têm um diâmetro de 2 a 3 mm, espessura em torno de 1.0 mm e volume de 7.0 fl. A vida média das plaquetas no sangue circulante é de 9 a 12 dias e cerca de 7000 plaquetas /ml são consumidas diariamente com a finalidade hemostática. Em situações normais, estão em número de 140.000 a 400.000/mm³ no sangue periférico.
O tamanho da plaqueta, medido através do Volume Plaquetário Médio (VPM), é um marcador da função plaquetária. Plaquetas grandes contêm mais grânulos densos e produzem mais tromboxano A2.
A padronização do valor de referência para o VPM não é um fato definido, existindo variações nas citações científicas, no entanto, o valor de referência mais utilizado é VPM=8,7 μm3 (± 1.46). Nos indivíduos saudáveis, o VPM varia, dentro dos valores de referência, inversamente com a contagem de plaquetas, ou seja, a interpretação dos valores de VPM como anormalmente baixa ou alta é melhor realizada com referência à contagem de plaquetas do paciente.
O VPM está geralmente aumentado quando há um aumento do “turnover” plaquetário (plaquetas são produzidas e destruídas rapidamente) e consequentemente existe um defeito e falha de produção.
Encontra-se aumento do VPM no hipertireoidismo, na doença mieloproliferativa, na púrpura trombocitopênica idiopática, na púrpura trombocitopênica trombótica, na coagulação intravascular disseminada, nas síndromes mieloproliferativas (leucemia mielóide crônica, mielofibrose, trombocitemia essencial), na pós-esplenectomia, nos estados hipoesplênicos, no diabetes mellitus e na doença vascular.
No caso das síndromes congênitas, o VPM está aumentado na Síndrome de Bernard-Soulier, Síndrome de Epstein e Síndrome de Plaqueta Cinzenta, situações clínicas bastante raras.
Portanto, deve-se iniciar pela avaliação do paciente, vendo se tem ou não diabetes mellitus e/ou doença vascular, pois estas são patologias muito comuns e intimamente relacionadas com a presença das macroplaquetas.
Caso isto não se confirme, deve se realizar uma investigação, com novos exames laboratoriais (função tireoidéia, glicemia, hemograma completo com cálculo do VPM) e, se necessário, encaminhar para uma investigação mais aprofundada com o hematologista.