Quais as recomendações nutricionais para pessoas com colostomia?

Para pessoas com colostomia (abertura cirúrgica para dentro do cólon através de um estoma na parede abdominal para permitir a defecação)(1), recomendam-se os seguintes cuidados alimentares a fim de evitar alteração no padrão das fezes e aumento da produção de gases:

- Manter uma dieta saudável e fracionada, em torno de 06 refeições por dia, introduzindo pequenos lanches entre as refeições principais, preferencialmente frutas(2,3); - Reduzir o volume de cada refeição(2); - Mastigar bastante os alimentos e comer de boca fechada, evitando a formação de gases(2,3); - Alimentar-se em ambiente tranquilo e calmamente(2); - Preparar os alimentos grelhados, assados ou ensopados com adição de pouca gordura quando necessário; - Ingerir água em quantidade adequada: 8 a 10 copos de 200 ml ou 1 ½ a 2 litros por dia, principalmente entre as refeições(2,3); - Consumir vegetais cozidos e não folhosos(2); - Preferir leite e iogurtes desnatados e queijos brancos, salvo se houver alguma intolerância prévia a esses alimentos(3); - Leguminosas, em geral, tendem a causar odor(1). Ao consumir feijão, recomenda-se deixá-lo de molho de um dia para outro e desprezar a água de molho para o cozimento. Observar se, preparado dessa maneira, esse alimento provocará menor produção de gases do que quando não realizado o molho previamente ao seu cozimento; - Evitar mascar chicletes(3); - Procurar evitar o consumo de: a) alimentos que podem causar flatulência: milho, agrião, aipo, batata doce, brócolis, cebola, couve, couve-flor, bertalha, nabo, pimentão, repolho, rabanete, taioba, caruru, grão de bico, feijão preto, manteiga, carnes vermelhas, ovos, peixes, queijos amarelos, mariscos(1,2,3); b) alimentos concentrados em açúcar, como sobremesas açucaradas, sucos industrializados, chocolate, doces em calda(2); c) bebidas gasosas, como refrigerantes(2,3); d) alimentos altamente condimentados(1); f) alimentos em conserva, como milho, ervilha e azeitona(2); g) alimentos concentrados em gordura, como frituras em geral, gordura aparente da carne e pele do frango, moquecas, feijoada e outros(2,3); h) edulcorantes artificiais sorbitol e manitol(3); É importante reforçar junto às pessoas ostomizadas a necessidade de observação de sua alimentação e dos sintomas que podem estar associados, evitando-se aqueles alimentos que lhe causem mal-estar(1). Outra questão que deve ser discutida é o cuidado na introdução de novos alimentos à dieta, que devem ser incorporados gradativamente, avaliando-se a tolerância individual a cada um deles(3). O recomendado é que seja realizado o experimento de um alimento novo a cada três dias para garantir uma observação adequada. É importante esclarecer também que, além da alimentação, antibióticos e alguns suplementos vitamínicos podem causar odor desagradável e/ou alteração no padrão das fezes(1,2). A Portaria Nº 400, de 16 de novembro de 2009, visa à prestação de assistência especializada, de natureza interdisciplinar, às pessoas com estoma, cuidadores e/ou familiares, objetivando sua reabilitação, com ênfase na orientação para o autocuidado, realização das atividades de vida diária e prevenção de complicações. É fundamental que o profissional nutricionista esteja presente para avaliar o estado nutricional deste paciente, oferecer orientações, elaborar um plano nutricional, orientar a família, realizar atividades educativas e juntamente com os demais membros da equipe desenvolver um plano terapêutico individualizado, sempre registrando e dialogando com a equipe multiprofissional a melhor conduta frente aos aspectos físicos, mentais e sociais do paciente(4).