Quais condutas devem ser tomadas quando o paciente não adere ao tratamento de Tuberculose e HIV concomitante?

Segundo o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil(1) e Recomendações para o manejo da coinfecção TB-HIV em serviços de atenção especializada a pessoas vivendo com HIV/AIDS(2), a equipe deve utilizar estratégias importantes de adesão como:

– Acolhimento dos pacientes com coinfecção TB-HIV é importante, devendo-se abordar a forma de transmissão da TB e do HIV; a gravidade da coinfecção; a importância da adesão ao tratamento de ambas às doenças e da identificação dos contatos. Devem também ser abordados o estigma referente às duas doenças, os problemas sociais ou outras dificuldades que possam interferir na evolução e adesão ao tratamento.

– Tratamento Diretamente Observado (TDO) é a principal ação de apoio e monitoramento do tratamento, pressupõe uma atuação comprometida e humanizada dos profissionais de saúde. Além da construção do vínculo, o TDO inclui a observação da ingestão dos medicamentos, que deve ser realizada, idealmente, em todos os dias úteis da semana. Será considerado TDO se a observação da tomada ocorrer no mínimo três vezes por semana durante todo tratamento (24 doses na fase intensiva e 48 doses na fase de manutenção em casos de tratamento padronizado por seis meses). O TDO deve ser realizado por profissionais de saúde e deve-se existir articulação do Serviços de Atenção Especializada (SAE) com as unidades da Atenção Básica para realizar o TDO compartilhado.

– Projeto Terapêutico Singular (PTS) é uma ferramenta de organização do cuidado, voltada para um indivíduo ou família, que considera a singularidade de cada caso. Geralmente é dedicado a situações mais complexas e buscam o cuidado integral ao paciente. É construído entre equipe multidisciplinar de saúde e usuário, com atribuição de responsabilidades. A equipe multidisciplinar de saúde deve estar organizada com estabelecimento de reuniões periódicas durante o horário de trabalho.

– Comprometimento da equipe.

– Organização e estruturação do serviço ofertado através da disponibilidade de profissionais, materiais e medicamentos, bem como a organização da assistência são importantes fatores relacionados à adesão.

– Garantir o seguimento clínico, com a primeira consulta médica imediata ou no máximo em até sete dias, a partir do início do tratamento para a tuberculose o retorno do paciente deverá ocorrer em até 15 dias e as consultas deverão ser mensais até o final do tratamento da TB ou com maior frequência, a critério médico, conforme necessidade. A consulta por outros integrantes da equipe multiprofissional tem como objetivo promover a adesão ao tratamento, identificar intercorrências que possam interferir no uso correto dos medicamentos anti-TB e antirretrovirais (ARV) tendo como rotina consulta semanal nos dois primeiros meses, consulta quinzenal no 3° mês, e consulta mensal a partir do 4° mês até o final do tratamento da TB.

Considerando a maior proporção de abandono, falha ao tratamento e ocorrência de eventos adversos em pessoas com coinfecção TB-HIV, a intensificação de estratégias de adesão ao tratamento de ambos os agravos é uma prioridade, já que falhas ou intercorrências ao longo do tratamento podem implicar maior risco de abandonos e óbitos. A não adesão pode ter consequências importantes para o paciente e para a comunidade, diminuindo a possibilidade de cura, mantendo a cadeia de transmissão e aumentando o risco de resistência aos medicamentos e de óbitos por tuberculose(1,2,3).