Quais condutas devem tomadas pela equipe da ESF na APS diante de um caso de aborto retido?

A principal conduta recomendada diante de um caso de aborto retido é o encaminhamento da paciente ao hospital de referência obstétrica, para a realização de curetagem uterina(1,2).

No entanto, além disso é importante lembrar que no início do diagnóstico do aborto retido, bem como no pós-abortamento, as mulheres precisam de uma equipe que compreenda suas necessidades, não somente físicas, mas também sociais e psicológicas(2,4). Tanto o profissional médico como o enfermeiro, juntamente com os demais profissionais da equipe, poderão ajudar na identificação da causa do aborto e facilitar o entendimento da mulher acerca dos possíveis significados do abortamento, que muitas vezes, se traduzem por frustração e sensação de incapacidade de engravidar novamente(2)Por isso é importante um diálogo satisfatório durante o atendimento, capaz de proporcionar às mulheres condições para decisões futuras em relação a sua saúde, em especial ao seu futuro reprodutivo(3). No Brasil, ainda existem poucos estudos específicos sobre óbito fetal, mas de maneira geral, as principais causas estão relacionadas à idade materna maior que 35 anos, baixa renda e escolaridade, pré-natal inadequado e natimorto prévio. Dessa forma, conhecer a epidemiologia da morte fetal é fundamental para promoção de ações voltadas à saúde materno-infantil, pois a maior visibilidade desse problema e identificação dos fatores determinantes dos óbitos são necessários para subsidiar a adoção de medidas preventivas que permitam um enfrentamento mais efetivo de um problema que pode ser evitado(5,6). Nesse sentindo, a qualidade na atenção ao abortamento e pós-aborto no âmbito da Atenção Primária a Saúde (APS) implica no esforço integrado de todos os níveis gestores para a oferta de serviços que garantam acolhimento, informação, aconselhamento, competência profissional, tecnologia apropriada disponível e relacionamento pessoal sem pré-julgamentos, pautado no respeito à dignidade e aos direitos sexuais e reprodutivos, necessitando assim, de uma equipe preparada para orientar as mulheres que desejarem outra gravidez(2,3). Durante o atendimento, é importante lembrar também que nos casos de aborto, quando houver sido indicada na gestação, a suplementação de ferro deve ser mantida no pós-aborto por três meses(1). Portanto, a Unidade Básica de Saúde (UBS) deve ser a porta de entrada preferencial da gestante no sistema de saúde, ou seja, corresponde ao ponto de atenção estratégico para melhor acolher suas necessidades, inclusive proporcionando um acompanhamento longitudinal e continuado, principalmente durante a gravidez(1,3). Dessa forma, a atenção à gestante, à puérpera e à criança deve ser concebida de forma integral, indissociada das questões físicas, emocionais, de seu contexto familiar, comunitário e de relações sociais(1,2).