Quais cuidados odontológicos devemos ter com paciente com lúpus?

Os pacientes devem ser questionados diretamente na anamnese se possuem doença renal, pois podem apresentar hematúria assintomática ou proteinúria. Observar se fazem uso de anti-inflamatórios (prednisona), antimaláricos (hidroxicloroquina), drogas imunossupressoras (azatioprina, ciclofosfamida, metotrexato) que podem causar complicações sistêmicas, pois tais pacientes tem um risco aumentado de infecções e todo o tratamento odontológico confere riscos. O exame clínico detalhado deve excluir processos infecciosos associados a tecidos dentais e periodontais, deve ser observada a presença de erosões, úlceras, placas escamosas, descartar a hipótese de infecção por Cândida, pois a candidíase pseudomembranosa é a expressão mais comum em pacientes imunossuprimidos. Avaliar a ATM, descartar distúrbios como artralgia ou artrite. Deve-se solicitar exames complementares como radiografia panorâmica e periapicais completos para avaliar doenças ou processos infecciosos que não estão muito evidentes no exame clínico; testes de hematologia incluindo teste de coagulação, mesmo quando não considerada no tratamento nenhuma cirurgia. Ao prescrever alguma medicação, ter cuidado com a alta incidência de lesão renal nestes pacientes, devendo-se optar por medicações não metabolizadas por esta via. (1)

COMPLEMENTAÇÃO O Lúpus é uma doença crônica autoimune. Por uma razão desconhecida, o organismo passa a não reconhecer suas próprias células e produz anticorpos contra elas (auto anticorpos), que pode afetar pele, articulações, rins e outros órgãos (2), causando diversas anormalidades clínicas e laboratoriais. O tratamento para lúpus envolve uma ampla gama de medicamentos que vão desde anti-inflamatórios comuns, baixas doses de corticoides e medicamentos antimaláricos (ex: cloroquina) para tratar manifestações mais leves – sem comprometimento de grandes órgãos ou sistemas – até drogas que retiram as defesas do organismo (como a ciclofosfamida, azatioprina e metotrexate) para graus mais avançados da doença. EPIDEMIOLOGIA: Pode ocorrer em qualquer faixa etária, incluindo crianças e gestantes, mas é mais frequente em mulheres jovens – especialmente entre 15 e 45 anos. Nesta faixa etária a razão de mulheres acometidas com relação aos homens se situa entre 6:1 e 9:1. Pessoas da raça negra têm quatro vezes mais chances de desenvolver a doença quando comparados com pessoas da raça branca. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: Alguns dos sinais e sintomas iniciais mais frequentes são: inflamação das articulações, mal-estar, cansaço, dor de cabeça, febre, emagrecimento involuntário, diminuição do número de células do sangue e alterações na pele. Uma das características mais clássicas do lúpus é a mancha na face “em asa de borboleta” que acomete de 30 a 60% dos pacientes no curso da doença. Manifestações tardias incluem alterações nos rins, que podem levar à necessidade de hemodiálise e transplante renal, complicações nas membranas que revestem os pulmões e coração, doença neurológica, psiquiátrica, problemas de circulação, doença das válvulas cardíacas, entre outros. Outro complicador é que a atividade da doença (e o seu tratamento) aumenta o risco de infecções oportunistas. PROGNÓSTICO: Com o avanço das opções terapêuticas nas últimas décadas, a expectativa de vida dos pacientes aumentou significativamente. Atualmente, 80% das pessoas com Lúpus permanecem vivas após 15 anos de doença (3). ATRIBUTOS APS A pessoa com Lúpus deve ter garantido seu acompanhamento regular na sua Unidade de Saúde e é através dela, conforme suas necessidades, que será encaminhada para outros pontos do sistema de saúde. O ACS pode facilitar o agendamento de consultas (ACESSO). Além da doença diretamente, possíveis limitações podem provocar sofrimento psicológico pessoal e familiar, ao qual a equipe de saúde deve estar atenta e fornecer suporte (INTEGRALIDADE). Com acompanhamento ao longo do tempo, pela mesma equipe, potenciais complicações da doença podem ser identificadas em momentos oportunos para o tratamento (LONGITUDINALIDADE). Lúpus é uma doença rara e que seu tratamento provavelmente envolverá cuidados multidisciplinares nos níveis secundários e terciários de atenção à saúde. Nesse caso, a equipe de saúde da UBS deverá fazer-se presente para acompanhar e organizar as intervenções, evitando a fragmentação e os conflitos nos cuidados fornecidos, e fornecer suporte de mais fácil acesso ao doente e aos seus cuidadores (COORDENAÇÃO DO CUIDADO) (3). EDUCAÇÃO PERMANENTE Você sabia que fatores psicológicos (como ansiedade e desgaste emocional) podem aumentar a gravidade dos problemas imunológicos e assim aumentar o risco de desenvolver os episódios agudos do lúpus?

Bibliografia Selecionada

  1.  López Labady, J. Manejo odontológico del paciente con lupus eritematoso Acta Odontol Venez [Internet]. 2010;48(3) [citado 2015 Jan 27]. Disponível em: http://www.actaodontologica.com/ediciones/2010/3/art23.asp Acesso em: 29 jan 2015.
  2. Varellis, M L Z. O paciente com necessidades especiais na Odontologia: manual prático. 2 ed. São Paulo: Editora Santos, 2013.
  3. Equipe Telessaúde Rio Grande do Sul. O que é Lupus e quais orientações podem ser repassadas aos pacientes e familiares? [Internet]. Segunda Opinião Formativa. 2013 [citado 2015 Jan 10]. Disponível em: http://pesquisa.bvs.br/aps/resource/pt/sof-5403 Acesso em: 29 jan 2015.