Quais medidas devem ser tomadas em casos de mordedura por rato?

Nestes casos, é imprescindível a limpeza do ferimento com água corrente abundante ou solução salina estéril, e sabão ou outro detergente, pois essa conduta diminui o risco de infecção secundária da área ferida. Deve ser realizada o mais rapidamente possível após a agressão e repetida na unidade de saúde, independentemente do tempo transcorrido. A limpeza deve ser cuidadosa, visando eliminar as sujidades e retirar todo o tecido que se encontre desvitalizado, sem agravar o ferimento (1, 5).
Ainda se deve proceder à profilaxia do tétano segundo o esquema preconizado (caso não seja vacinado ou com esquema vacinal incompleto) e uso de antibióticos nos casos indicados, após avaliação médica (1,3,4).
Os “ratos” (ratazana de esgoto, rato de telhado, camundongo, porquinho-da-índia, hamster) e coelhos são considerados como de baixo risco para a transmissão da raiva e, por isso, não é necessário indicar esquema profilático para raiva em caso de acidentes causados por eles (1,2).

EDUCAÇÃO PERMANENTE  Febre da Mordedura do Rato As mordeduras produzidas pelas várias espécies de animais podem infectar-se. Geralmente, a flora das mordeduras reflete a flora oral do animal que morde (3). Os pequenos roedores, como ratos e camundongos, e também os animais que são seus predadores, podem transmitir dois tipos de bactérias: Streptobacillus moniliformis ou Spirillum minor, que causam uma doença clínica conhecida como febre da mordedura do rato (3). Esta doença é distinguida da infecção aguda das mordeduras por manifestar-se após a cura da lesão inicial. A doença causada pelo Streptobacillus tem um período de incubação de 3 a 10 dias. Febre, calafrios, náuseas e vômitos, dores musculares, dor de cabeça e dores na articulações são habitualmente seguidos de um exantema maculopapular (manchas vermelhas no corpo) que caracteristicamente envolve as palmas das mãos e as solas dos pés, e pode tornar-se confluente. Podem ocorrer complicações em vários órgãos, secundariamente, como endocardite e miocardite (inflamação nos tecidos do coração), meningite, pneumonia e abscessos disseminados (3). A infecção por Spirillum (conhecida no Japão como “sodoku”) causa dor e tumefação violácea no local da mordida inicial, com linfadenopatia (aumento de gânglios) regional associada, após um período de incubação de 1 a 4 semanas. A doença sistêmica provoca febre, calafrios e dor de cabeça. A lesão original pode eventualmente progredir para uma úlcera (3). O diagnóstico é feito através da história clínica e exames laboratoriais/microbiológicos. O tratamento baseia-se em antibioticoterapia.

Bibliografia Selecionada

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica.Normas técnicas de profilaxia da raiva humana / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/normas_tecnicas_profilaxia_raiva.pdf
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.Vigilância em saúde : zoonoses / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/cadernos_ab/abcad22.pdf>. Acesso em: 14 abr. 2016.
  3. Doenças Infecciosas de Harrison / Organizadores, Dennis L. Kasper, MD. [et al.]. 2. ed. - Porto Alegre: Artmed,2015.
  4. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências / Organizadores, Bruce B. Duncan… [et al.]. - 4. ed. - Porto Alegre: Artmed, 2013.
  5. Haddad Junior, V., Campos Neto, M. F. D., & Mendes, A. L. (2013). Mordeduras de animais (selvagens e domésticos) e humanas. Rev. patol. trop42(1), 13-19. Disponível em: <http://www.fmvz.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/animaisselvagens/mordeduras-de-animais-e-humanas.pdf>. Acesso em: 14 abr. 2016.