Quais orientações devem ser disseminadas aos cuidadores de recém-nascido quanto à morte súbita infantil?

Pais e cuidadores devem ser alertados quanto ao risco de morte súbita de crianças no primeiro ano de vida, sobretudo nos primeiros 6 meses. Devem receber a orientação de que a melhor maneira de prevenir sua ocorrência é colocar a criança para dormir de “barriga para cima” (posição supina), e não de lado ou de bruços (de decúbito lateral ou de posição prona)(1,2). A posição supina não aumenta o risco de aspiração, mesmo naqueles com refluxo gastroesofágico (refluxo do estômago para o esôfago), porque a anatomia das vias aéreas dos bebês os protege. A posição prona (de bruços) é aceitável em situações em que o risco de morte por refluxo é maior que o de morte súbita, como em casos de alterações anatômicas do bebê como fissuras laríngeas ainda não submetidas à cirurgia(3).
Os bebês devem dormir no berço em um colchão firme, coberto por um lençol justo, e não deve haver lençóis ou cobertores frouxos ou objetos macios em volta da criança. Isso evita que o bebê se sufoque ou fique inalando o mesmo ar. No caso de gêmeos, é recomendado que durmam em berços separados. O berço pode ser substituído por moisés ou berço portátil, desde que seguidas as orientações descritas e usados colchão e roupa de cama específicos para cada modelo. Carrinhos estreitos, cadeirinhas, bebê conforto ou sling (carregador de bebê que permite formar uma espécie de saco ou rede, onde se carrega o bebê próximo ao corpo em várias posições) não devem ser usados rotineiramente para dormir, principalmente para bebês menores de 4 meses, que podem assumir posições que aumentam o risco de sufocamento ou asfixia(3).
Recomenda-se que os bebês durmam no quarto dos pais, próximos à cama deles (porém em outra superfície), pelo menos, até os 6 meses(3).
Os bebês não devem dormir em camas, pelo risco de aprisionamento ou sufocamento. Caso se pratique o coleito (quando o bebê é colocado para dormir na cama dos pais), os pais devem ser alertados de que certos comportamentos (como o hábito de ingerir bebida alcoólica, o uso de drogas ilícitas ou cigarros, a utilização de medicação que age no sistema nervoso central ou quando os pais se encontrarem muito cansados) podem acarretar maior risco de morte para o bebê, além de lesões não intencionais (ao cair da cama, ao ser prensado ou sufocado por um dos pais, principalmente quando se trata de crianças menores de 4 meses). É importante ressaltar que o fumo passivo também aumenta o risco de morte súbita. Também por segurança, os pais devem ser instruídos a não dormir com o bebê em sofás ou poltronas(1,3).
Alguns estudos recomendam o aleitamento materno como um fator protetor de morte súbita infantil. A proteção aumenta com a exclusividade, mas qualquer aleitamento materno mostrou ser mais eficaz que nenhum(1,4). É recomendado que seja realizado de modo exclusivo até os 6 meses.
É importante que essas recomendações sejam passadas desde o nascimento do bebê, orientando pais e cuidadores.