Quais os principais problemas de saúde dos trabalhadores que têm contato intenso com agrotóxicos utilizados em plantações de morango, uva, maçã e pêssego?

A ampla utilização de agrotóxicos no sistema produtivo rural é um grave problema para a saúde e para o meio ambiente, por contaminação do solo, da água e do ar. Os trabalhadores rurais constituem um grupo populacional reconhecidamente vulnerável aos efeitos danosos dos agrotóxicos na saúde. Os estudos mostram que para cada caso de intoxicação aguda há uma expectativa de oito casos de intoxicação crônica.
No Brasil existem poucas informações sobre os efeitos decorrentes da exposição humana a esses compostos. Os agrotóxicos costumam ser classificados em duas categorias básicas, que identificam a natureza da praga que se quer combater e o grupo químico ao qual pertencem.
Hortaliças e fruticultura normalmente utilizam agrotóxicos conhecidos como organofosforados e ditiocarbamatos. Estes, segundo pesquisadores, podem ser os prováveis causadores de doenças neuro-comportamentais, depressão e consequente suicídio.

Alguns compostos organofosforados: Clorpirfós, Coumafós, Diazinon, Diclorvos (DDVP), Fenitrotion, Fenthion, Supona e Triclorfon. Alguns compostos carbamatos: Carbaril, Propoxur, Trisdimetilditiocarbamato, Aldicarb e Carbofuran. A ação dos agrotóxicos sobre a saúde pode ser imediata, após o uso da substância, ou ao longo do tempo (meses ou anos de contato com o produto), caracterizando-se por sintomas crônicos. O agricultor intoxicado pode apresentar as seguintes alterações: irritação ou nervosismo, ansiedade e angústia, frases desconexas, tremores no corpo, indisposição, fraqueza e mal estar, dor de cabeça, tonturas, vertigem, alterações visuais, salivação e sudorese aumentadas, náuseas, vômitos, cólicas abdominais, respiração difícil, com dores no peito e falta de ar, queimaduras e alterações da pele, dores no corpo inteiro, em especial nos braços, nas pernas e no peito, irritação de nariz, garganta e olhos, provocando tosse e lágrimas, urina alterada, seja na quantidade ou na cor, convulsões ou ataques, desmaios, perda de consciência até o coma. As orientações aos trabalhadores que utilizam agrotóxicos começam pelo conhecimento do produto a que estão sendo expostos e da forma adequada de utilização da substância. Os agricultores devem ser orientados quando ao uso de equipamentos de proteção individual (EPI) que constam de macacão de PVC, luvas e botas de borracha, óculos protetores e máscara contra eventuais vapores. Outras informações importantes: evitar contaminação ambiental (preservar a natureza), não trabalhar sozinho quando manusear produtos tóxicos, não permitir a presença de crianças e pessoas despreparadas no local de trabalho, preparar o produto em local fresco e ventilados, nunca ficando a frente do vento, ler atentamente e seguir as instruções e recomendações indicadas no rótulo dos produtos, evitar inalação, respingo e contato com os produtos, não beber, comer ou fumar durante o manuseio e a aplicação dos tratamentos, preparar somente a quantidade desejada e necessária, aplicar sempre as doses recomendadas, evitar pulverização nas horas quentes do dia, contra o vento e em dias de vento forte ou chuvosos, não aplicar produtos próximos à fonte de água, riachos, lagos e não desentupir bicos, orifícios, válvulas, tubulações com a boca. Pode se entrar em contato com o Centro de Informações Toxicológicas (CIT) e solicitar material (folder, cartazes) que auxilie neste trabalho de orientação e alerta. O conhecimento dos sintomas de intoxicação crônica também deve ser bastante salientado, pois muitas vezes isto auxiliará no diagnóstico de sintomas inespecíficos. SOF Relacionadas:
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