Quais os cuidados odontológicos ao atender crianças na era do COVID-19?

Na era do COVID-19, pacientes infantis somente deverão ser atendidos em situações de urgência odontológica(4,5) uma vez que parte das crianças infectadas por COVID mostram-se assintomáticas, com elevada carga viral ou apresentam sintomas leves e não-específicos da doença(2,3). Todas as crianças submetidas ao tratamento odontológico de urgência, e o seu único acompanhante, devem ser tratados como potenciais fontes de transmissão do vírus, até que se prove o contrário(1,3).

Assim, a pandemia pelo SARS-CoV-2 (COVID-19) tem modificado os protocolos de atendimento de muitos profissionais de saúde, entre eles o dentista(1).Os cuidados odontológicos, que devem fazer parte do cotidiano do dentista, demandam conhecimentos sobre infecção cruzada, infecções respiratórias, formação de aerossóis e biossegurança.

A determinação do horário da consulta deve ser programada considerando o tempo de espera de cada processo de desinfecção da sala. O dentista e seu auxiliar devem organizar o consultório, a fim de deixar a menor quantidade de material exposto sobre as bancadas e armários; proceder a desinfecção e a limpeza terminal do consultório, além de realizar a sequência correta de paramentação/desparamentação dos Equipamentos de Proteção Individual - EPIs (máscara N95, gorro, óculos, protetor facial, avental impermeável descartável e luvas) e a lavagem com frequência das mãos com água e sabão, e desinfecção com álcool 70 (álcool etílico hidratado 70° INPM  -Instituto Nacional de Pesos e Medidas)(1). Deve-se priorizar a realização de procedimentos odontológicos, com instrumentos manuais ou baixa rotação sem água, que não gerem a emissão de aerossóis, como a aplicação profissional de flúor, cariostáticos, selantes, remoção seletiva de cárie, tratamento restaurador atraumático e restaurações provisórias(1,2), entretanto caso necessite usar caneta de alta rotação, deve-se optar pelo uso desta sem spray de água. Não utilizar a seringa tríplice e substituir a lavagem com seringa com soro fisiológico. Não usar a cuspideira; aspirar a cavidade oral do paciente com frequência e usar isolamento absoluto(1). Ao final do atendimento odontológico, os equipamentos de proteção individuais devem ser retirados com luva limpa, proceder novamente lavagem e desinfecção das mãos, realizar a desinfecção dos óculos de proteção e do protetor facial lavando com água e sabão, seguida da desinfecção com álcool 70° INPM. O profissional deve retirar-se da sala clínica para a remoção da máscara N95. A sala clínica deve ser fechada por 1 a 2 horas para a sedimentação das partículas de aerossóis do ar nas superfícies. Após este período, realizar a limpeza terminal do consultório (cadeira odontológica completa, mesas, cadeiras, chão e paredes do consultório) com 62-71% de etanol ou 0,1% de hipoclorito de sódio em 1 minuto(1). Diante da ausência de documentos e posicionamento oficial de órgãos sanitários mundiais a respeito da assistência odontológica pública ou privada(1), realizada em consultório odontológico ou em serviços hospitalares, é pertinente sistematizar cuidados odontológicos durante uma pandemia da COVID-19 para evitar a disseminação do vírus e reduzir o risco de contaminação entre pacientes, profissionais e equipe.