Quais os cuidados pós-operatórios em casos de comunicação bucossinusal?

Logo que o cirurgião-dentista percebe que realizou uma a comunicação buco-sinusal ou oro-antral, deve certificar-se de que o dente foi completamente extraído e então remover todos os fragmentos de ossos que possam formar sequestro. A membrana mucosa sobre o alvéolo é tracionada por meio de suturas simples interrompidas e todo esforço deve ser feito para se obter um coágulo no alvéolo. Sob nenhuma circunstância deve-se preencher o alvéolo com qualquer material que possa impedir a cicatrização (1).

Em comunicação buco-sinusal menores que 2mm de diâmetro, o tratamento mais indicado é a estabilização do coágulo e preservação do mesmo no local da extração. Não é necessário o levantamento adicional de retalho de tecido mole. As suturas são feitas para reposicionar os tecidos moles e uma gaze é mantida por 1 a 2 horas sobre a sutura(2,3). Caso a comunicação for igual ou maior que 3mm de diâmetro deve-se realizar procedimento cirúrgico para fechamento dessa fístula através da técnica do retalho bucal deslizante e retalho palatino deslizante (5).

A antibioticoterapia é iniciada imediatamente e continuada por 7 dias como medida profilática com ou sem história prévia de sinusite, no seguinte esquema terapêutico: Amoxicilina 500mg, com intervalos de 8 horas, durante 10 a 14 dias (5). O paciente é instruído que sob nenhuma circunstância ele pode elevar a pressão em seu nariz por meio de assopros até que a cicatrização tenha ocorrido (1).

A relação dos ápices dos molares e pré-molares superiores com o seio maxilar é variável e depende da anatomia individual e da idade do paciente, pois a pneumatização do seio continua ao longo da vida. Com frequência o seio aprofunda-se entre as raízes dos molares que virtualmente forma parte do assoalho do seio. Ocasionalmente, uma simples extração de um dente pode fraturar o fino assoalho do seio e ocasionar uma comunicação buco-sinusal(1). Há, porém, outros fatores etiológicos menos frequentes como traumatismo gerado pelo uso inadequado de instrumentos, destruição do seio por lesões periapicais e remoção de cistos e/ou tumores do palato ou do seio maxilar (2). Sequelas da radioterapia como osteoradionecrose e fístula decorrente de tratamento deficiente para sinusites podem também resultar nas comunicações oroantrais (3, 6). Entidades patológicas como leishmaniose, goma sifilítica e noma, que provocam necrose perfurante, podem causar perfurações no seio maxilar (7). Um dos sinais importantes para o diagnóstico da perfuração oro-antral é a passagem de alimentos e líquidos da cavidade oral para o seio maxilar e consequente refluxo para a cavidade nasal (3). O paciente pode apresentar timbre nasal da voz e o estabelecimento de uma sinusite aguda ou crônica (6). Em casos de comunicações de pequena extensão, mais difíceis de serem evidenciadas clinicamente, preconiza-se utilizar a manobra de Valssalva que consiste na expiração nasal forçada (7). Em diagnóstico tardio, podem aparecer epistaxe e algia hemifacial (8). Clinicamente observa-se apenas o orifício da comunicação buco-sinusal que varia de tamanho de acordo com o agente etiológico. Segundo Freitas e colaboradores, as comunicações podem ser evidenciadas através de radiografias periapicais através da descontinuidade da linha radiopaca que delimita o assoalho do seio maxilar. Orifícios pequenos, em particular os localizados na parede anterior do seio, poderão ser de difícil evidenciação através destas radiografias. Por outro lado, as radiografias extrabucais (panorâmica e incidência de Waters) são limitadas com relação às comunicações pequenas, tendo sua grande importância na observação do seio maxilar envolvido, que poderá apresentar uma radiopacidade difusa, quando comparada com o seio do lado oposto. Pode ser de grande ajuda na identificação de corpos estranhos no seio, as radiografias oclusal superior, póstero-anterior, fronto-naso-placa e perfil da face (9). O melhor tratamento da comunicação buco-sinusal é prevenir que ela ocorra através da realização de um bom planejamento e da observação cuidadosa do caso, radiograficamente e clinicamente (2). ATRIBUTOS APS - O acesso dos usuários que apresentam comunicação bucossinuasal deve ser assegurado durante todo o pós-operatória a fim de garantir o acompanhamento sistemático, bem como a longitudinalidade e a coordenação do cuidado, nos casos onde houver necessidade de encaminhamento à outros níveis de atenção. No contexto da integralidade, faz-se necessária uma reflexão crítica sobre os processos de trabalho em saúde visando à produção de novos conhecimentos e ao desenvolvimento de novas práticas de saúde consoantes com os princípios e diretrizes do SUS.

Bibliografia Selecionada

  1. Moore UJ. Princípios de Cirurgia Buco Maxilo facial. 5a ed. Porto Alegre: Editora Artmed; 24.
  2. Peterson JL, Ellis E, Hupp RJ, Tucher RM. Cirurgia Oral e Maxilofacial Contenporânia. 3a. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. p. 47-7, 2.
  3. Saad Neto M, Callestini EA. Tratamento Imediato de comunicação buco-sinusal com esponja de gelatina. Rev Reg Araçat APCD, v. 6, p. 35-9, 1985.
  4. Garcia RR, Rabelo LRS, Moraes M, Moreira RWF, Albergaria-Barbosa JR. Utilização de encherto pediculado do corpo adiposo da bochecha no tratamento de comunicações oro-antrais. Rev Port Estomat, Med Dent e Cir Maxilofac, v. 41, p. 17-24, 2.
  5. Chandra RK, Kennedy DW. Infecções dos seios maxilares. In: Miloro M, Ghali GE, Larsen PE, Waite PD. Princípios de Cirurgia Bucomaxilofacial de Peterson. 2.ed. São Paulo: Santos; 2008. p.295-312
  6.  Graziani M. Cirurgia bucomaxilofacial. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. 41-3, 1995.
  7. Raldi FV, Sardinha SCS, ALBERGARIA-BARBOSA, J.R. Fechamento de comunicação bucossinusal usando enxerto pediculado com corpo adiposo bucal. RevBrasOdont, v. 7, p. 6-3, 2.
  8. Valente C. Emergências em bucomaxilofacial clínicas, cirúrgicas e traumatológicas. Rio de Janeiro: Editora Revinter, p. 245-6, 1999.
  9. Freitas Tarsila MC, et al. Fístulas oroantrais: diagnóstico e propostas de tratamento. Rev. Bras. Otorrinolaringol. [online]. 2003, vol.69, n.6 [cited  2015-08-09], pp. 838-844 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72992003000600018&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0034-7299.  http://dx.doi.org/10.1590/S0034-72992003000600018