Quais os riscos para um hipertenso que não toma medicação de forma correta?

A pressão alta ataca os vasos que se tornam endurecidos e estreitados. Se não é controlada, com o passar dos anos, os vasos afetados podem entupir ou romper. Quando isto acontece no coração, pode causar infarto; no cérebro, pode causar o derrame (chamamos de acidente vascular cerebral – AVC) ou um quadro de demência precoce. Além disso, a pressão alta pode levar à baixa de visão por afetar os vasos do fundo do olho e paralisação do funcionamento dos rins (quadro chamado de insuficiência renal) (1,2). Essa multiplicidade de consequências coloca a hipertensão arterial na origem de muitas doenças crônicas e, portanto, a caracteriza como uma das causas de maior redução da expectativa e da qualidade de vida das pessoas (3).

Complementação Chamamos hipertensão arterial sistêmica (HAS) quando a pressão que o sangue exerce nas paredes das artérias para se movimentar é muito forte, ficando acima dos valores considerados normais. Muita gente tem pressão alta durante anos e não percebe porque a doença não causa sintomas, ou seja, pode-se ter hipertensão e não sentir nada. Porém, se ficar sem tratamento, a doença costuma trazer consequências muito ruins ao organismo, conforme dito anteriormente (1,2). A pessoa é considerada hipertensa quando sua pressão arterial estiver maior ou igual a 140/90 mmHg, popularmente conhecida como 14 por 9. Para dar o diagnóstico de HAS, é importante que a verificação seja feita várias vezes, de forma correta, com aparelhos calibrados e profissionais capacitados (2). Na grande maioria dos casos, a HAS não tem causa conhecida ou definida, no entanto, existem fatores considerados de risco que podem favorecer o seu aparecimento, tais como: excesso de peso, alimentação inadequada (rica em gorduras, excesso de sal, baixo consumo de frutas, verduras e legumes), hábito de fumar, sedentarismo (falta de prática de atividade física regular), diabetes e presença de hipertensos na família (2). Dados mundiais apontam que 7 milhões de pessoas morrem a cada ano e 1,5 bilhão adoecem por causa da pressão alta (4). Atualmente, a doença atinge em média de 30% da população brasileira, chegando a mais da metade da população na terceira idade e está presente em 5% das crianças e adolescentes no Brasil. É responsável por 40% dos infartos, 80% dos AVCs e 25% dos casos de insuficiência renal terminal (casos em que o paciente necessitará de procedimentos de diálise). As graves consequências da pressão alta podem ser evitadas, desde que os hipertensos conheçam sua condição e mantenham-se em tratamento (4). ATRIBUTOS APS O Agente Comunitário de Saúde pode atuar de duas formas: junto às pessoas que não têm o diagnóstico de hipertensão, mas possuem os fatores de risco; e em relação às pessoas que já têm diagnóstico de hipertensão (2). 1) Junto às pessoas que não têm o diagnóstico de hipertensão, mas possuem os fatores de risco (2):
  • Estimular a adoção de hábitos alimentares saudáveis, com baixo teor de sal, baseados em frutas, verduras, derivados de leite desnatado;
  • Orientar a redução do consumo de bebidas alcoólicas ou seu abandono;
  • Estimular a realização de atividades físicas regulares a serem iniciadas de forma gradativa;
  • Verificar regularmente a pressão arterial;
  • Orientar para o agendamento de consulta na Unidade Básica de Saúde (UBS).
2) Em relação às pessoas com diagnóstico de hipertensão (2):
  • Identificar os hipertensos de sua área de atuação e verificar o comparecimento às consultas agendadas na UBS;
  • Realizar busca ativa dos faltosos;
  • Perguntar, sempre, à pessoa com hipertensão e que tenha medicamentos prescritos, se os está tomando com regularidade. Caso haja dificuldades nesse processo, informar à equipe quais são os usuários, para planejar ações de enfrentamento;
  • Estimular o desenvolvimento de hábitos de vida saudável. Observar se o usuário hipertenso está cumprindo as orientações de dieta, atividade física, controle de peso, se reduziu ou parou de fumar e de consumir bebidas alcoólicas;
  • Estimular a adoção de hábitos alimentares saudáveis, com baixo teor de sal, baseados em frutas, verduras, derivados de leite desnatado;
  • Orientar a redução do consumo de bebidas alcoólicas ou seu abandono;
  • Orientar sobre a importância da adesão ao tratamento e de seguir as orientações da equipe de saúde, explicando os malefícios de não se tratar;
  • Estimular a realização de atividades físicas regulares;
  • Fazer acompanhamento da pressão arterial conforme orientação da equipe de saúde.
EDUCAÇÃO PERMANENTE SOF Relacionada: Que orientações nutricionais podem ser dadas pelo Agente Comunitário de Saúde a portadores de Hipertensão Arterial Sistêmica? Como trabalhar com pacientes hipertensos e diabéticos que não aderem ao tratamento farmacológico e à dieta?

Bibliografia Selecionada

  1. Sociedade Brasileira de Hipertensão - SBH. Campanha 2015: menos pressão, mais vida. Disponível em: <http://www.sbh.org.br/menospressao/campanha2015.html>. Acesso em: 17 maio 2016.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia prático do agente comunitário de saúde. Brasília : Ministério da Saúde, 2009. (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Disponível em: <http://dab.saude.gov.br/docs/publicacoes/geral/guia_acs.pdf>. Acesso em: 17 maio 2016.
  3. DUNCAN, Bruce Bartholow et al. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
  4. Sociedade Brasileira de Hipertensão - SBH. Hipertensão arterial. Disponível em: <http://www.sbh.org.br/menospressao/hipertensao.html>.  Acesso em: 17 maio 2016.