Quais os testes biológicos e produtos mais indicados para a esterilização e desinfecção de materiais ambulatoriais?

Não foram encontrados estudos com adequado rigor metodológico que abordassem de forma comparativa o uso de diferentes produtos químicos para esterilização de materiais ambulatoriais com o objetivo de prevenir contaminação, portanto essa resposta será fundamentada em uma descrição das vantagens e desvantagens dos produtos e em artigos relacionados a esterilização de materiais hospitalares.
A esterilização é o processo pelo qual são destruídas todas as formas de vida microbiana (bactérias nas formas vegetativas e esporulados), e pode ser realizada mediante a aplicação de agentes físicos e químicos.
O uso de produtos químicos para a esterilização de artigos e instrumentais deve ser feito quando estes não puderem ser esterilizados pelos métodos físicos.
Ao se fazer a escolha de um determinado produto químico, deve-se observar que este tenha as seguintes propriedades:

  • Capacidade de destruir os micro organismos em todas as suas formas (vegetativas e esporuladas), em temperatura ambiente;
  • Ser estável, quando em solução por tempo prolongado;
  • Não ser irritante e tóxico para os tecidos humanos;
  • Não ser corrosivos para os metais e não alterar materiais de borracha e plástico.
  • Algumas condições são imprescindíveis para eficácia da esterilização ou desinfecção por agentes químicos, tais como:
  • Limpeza e secagem prévia dos materiais ou artigos a serem submetidos ao processo de esterilização ou desinfecção por agentes químicos;
  • Submersão total dos artigos na solução. É fundamental que este recipiente seja mantido tampado durante o tempo exigido perante o processamento dos materiais e a validade do produto;
  • Os recipientes com as soluções químicas devem ser mantidos à temperatura ambiente e em local bem ventilado.

A retirada dos materiais da solução deve ser feita com técnica asséptica, após devem ser realizados vários enxágües, para remover os resíduos do produto químico. Enxugá-los, usando compressas esterilizadas ou ar comprimido e acondicioná-los em invólucro estéreis, encaminhando-os ao uso imediato.
Segundo o Ministério da Saúde, os aldeídos (gluteraldeído e formaldeído) possuem ação esporicida, garantindo a esterilização dos artigos. Quanto à concentração o glutaraldeído é apresentado em solução aquosa a 2%. Esta solução possui pH ácido e neutro. Após a ativação, a validade da solução é de 14 a 28 dias.
Este agente apresenta uma série de vantagens, tais como: agir na presença de matéria orgânica, não corroer o material, não alterar os equipamentos de borracha e plásticos, e não danificar lentes de equipamentos. Porém, é um produto irritante para olhos e vias respiratórias na concentração acima de 0,2 ppm no ambiente. É também irritante da mucosa e pele, podendo até provocar queimaduras químicas. Por isso, todo material que entra em contato direto com a pele e mucosa deve ser exaustivamente enxaguado.
A esterilização em glutaraldeído é o processo de esterilização realizado através da imersão dos artigos em solução de glutaraldeído a 2%.
Artigos a serem submetidos:

  • Instrumentos metálicos;
  • Tubos de borracha, silicone, nylon, teflon ou PVC;
  • Componentes metálicos de endoscópios de alto risco (laparoscópio, ventriculoscópio, artroscópio, cistoscópio)

Recomendações quanto ao processo: os glutaraldeído alcalinos ou neutros são menos corrosivos que os ácidos; ativar os produto e/ou verificar se está dentro do prazo de validade para a utilização; usar a solução em recipientes de vidro ou plástico, preferivelmente; quando utilizar caixa metálica, proteger o fundo da mesma com compressa, evitando o contato com os artigos a serem processados; manter os recipientes tampados.
A desinfecção é o processo físico ou químico que destrói todos os micro organismos, exceto os esporulados.  As indicações do uso do hipoclorito de sódio são: desinfecção de nível médio de artigos e superfícies e descontaminação de superfícies.
O uso deste produto é limitado pela presença de matéria orgânica, capacidade corrosiva e descolorante e quando preparado pela farmácia do hospital, deve possuir técnica de preparo escrita. Deve ser efetuado o controle da qualidade da matéria-prima e da solução. Quando adquirido externamente, deve estar assegurada a qualidade do produto.
Os artigos submetidos até a concentração de 0,02% não necessitam de enxágue. As soluções devem ser estocadas em lugares fechados, frescos, escuros (frascos opacos) e não devem ser utilizadas em metais e mármores pela ação corrosiva.
Em artigo publicado no ano de 1988 relacionado à descontaminação prévia de materiais médico-cirúrgicos os autores compararam o uso de cinco tratamentos, sendo quatro pelo uso de desinfetantes (glutaraldeído 2%; hipoclorito de sódio 1%; peróxido de hidrogênio 6% e álcool etílico 70%) e um com água, sabão e ação mecânica e concluíram que a indicação tanto de limpeza mecânica com água e sabão quanto com uso dos desinfetantes utilizados mostraram-se eficazes na descontaminação prévia de materiais médico-cirúrgicos o que deixa alternativa de escolha aos profissionais que executam esse procedimento. Considerando a economia de tempo, de material de consumo e recursos humanos e, ainda, a conservação dos materiais médico-cirúrgicos e a alta rotatividade desses materiais, a opção recai sobre o uso de água, sabão e ação mecânica para a descontaminação prévia. Contudo, se em algumas situações específicas julgar-se conveniente, pode-se lançar mão dos desinfetantes para esse procedimento.
Em artigo publicado no ano de 2001 realizado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre os autores concluíram que a desinfecção de alto nível com glutaraldeído a 2%, precedido de limpeza com detergente enzimático, constitui-se em técnica segura e simples para evitar transmissão de infecções cruzadas no material e equipamento de manometria esofágica, devendo ser realizada após cada procedimento. Os transdutores, pelas suas características, devem ser re-esterilizados em óxido de etileno a cada 6 meses. Além disso, os autores ressaltam a importância de que os profissionais envolvidos nesta área devam trabalhar conjuntamente com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, conhecer normas e portarias do País e manterem-se atualizados quanto a novos processos de esterilização de materiais oferecidos no mercado.

 

 

Bibliografia Selecionada

  1. Souza ACS, Pereira MS, Rodrigues MAV. Descontaminação prévia de materiais médico-cirúrgicos: estudo da eficácia de desinfetantes químicos e água e sabão. Rev Latino-Am Enfermagem  [Internet]. 1998  Jul [citado 2008  Dez  12] ;  6(3): 95-105. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v6n3/13896.pdf
  2. Müller S, Gruber AC, Hoefel HHK, Barros SGS. Manometria Esofágica: limpeza e desinfecção do equipamento com glutaraldeído. Protocolo do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, RS. Arq Gastroenterol. 2001  Out [citado 2008  Dez  12];38(4): 276-280. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ag/v38n4/14267.pdf