Quais são as causas de trombocitopenia na gestação e qual a conduta recomendada?

Trombocitopenia gestacional (TG) é a causa mais comum de plaquetopenia durante a gestação, aparece principalmente no terceiro trimestre, é assintomática e a contagem de plaquetas é acima de 100 mil em 99% dos casos. TG é secundária a alterações fisiológicas da gravidez e não aumenta o risco de desfechos desfavoráveis para mãe ou feto, nem o risco de sangramento durante o parto.

Outras causas de plaquetopenia relacionadas à gestação geralmente cursam com contagem de plaquetas < 100 mil e incluem pré-eclâmpsia, síndrome HELLP, fígado gorduroso da gravidez e coagulação intravascular disseminada. Além disso, outras etiologias possíveis são condições não relacionadas à gestação, como trombocitopenia autoimune, hepatites, HIV, infecções virais e bacterianas, uso de medicamentos, deficiências nutricionais, síndrome antifosfolipídica, mielodisplasia, etc.

Conduta Mulheres com contagem de plaquetas <100.000 céls/mm3 devem ser investigadas para uma etiologia diferente de trombocitopenia gestacional (quadro 1) e encaminhadas ao Pré-Natal de Alto Risco (não é necessário aguardar resultado de exames). Gestantes com contagem de plaquetas entre 100.000 e 150.000 céls/mm3, em qualquer momento durante a gravidez, provavelmente têm TG e não necessitam de investigação adicional, a menos que outros fatores estejam presentes (trombocitopenia prévia à gravidez ou outros diagnósticos prováveis, como pré-eclâmpsia). Nestas gestantes com plaquetopenia leve, que permanecem no pré-natal de baixo risco, a monitorização das plaquetas deve ser realizada a cada 1 a 3 meses (conforme tendência e contagem absoluta de plaquetas), além de uma medida próxima ao termo (36-37 semanas).       Condições clínicas que indicam a necessidade de encaminhamento para Centro Obstétrico/Emergência ginecológica: •qualquer manifestação hemorrágica; ou •trombocitopenia assintomática e valor de plaquetas inferior a 30 mil céls/mm3; ou •citopenias com critérios de gravidade (quadro 2); ou •trombocitopenia associada a: aumento da pressão arterial (PA sistólica > 140 mmHg ou PA diastólica > 90 mmHg); ou presença de anemia hemolítica; ou •elevação de transaminases ou provas de função hepática; ou •perda de função renal (elevação de creatinina prévia, proteinúria).   Condições clínicas que indicam a necessidade de encaminhamento para Pré-Natal de Alto Risco: •trombocitopenia com contagem plaquetária <100.000 céls/mm3, em qualquer trimestre da gestação - suspeita de outras causas que não trombocitopenia gestacional.