Quais são as orientações para administração de medicação intramuscular em crianças?

Em crianças, não se tem uma definição segura acerca do volume máximo por via IM, havendo recomendação em alguns estudos de até 1 ml em crianças menores de dois anos(1).

Em menores de dois anos de idade é preconizado o uso do músculo lateral da coxa devido à maior proporção muscular. Entretanto, a injeção intramuscular (IM) nesse músculo tem o inconveniente de ser muito dolorosa, tanto em crianças como em adultos, devido à presença do nervo cutâneo lateral(1).

A aplicação no músculo ventro glúteo tem vantagens pelo mesmo ser mais acessível (tanto na posição corpórea supina, prona ou lateral) e de fácil localização. Esse local de injeção IM deve ser utilizado em maiores de 7 meses(1).

Na prática de enfermagem, os músculos mais utilizados são o deltoide e o dorso glúteo, mas não são os preferenciais. O músculo deltoide tem como limitações em seu uso, o fato de possuir pouca massa muscular admitindo volume máximo de injeção de 0,5 a 1 ml, além de pequena margem de segurança para lesão dos nervos radial e axilar. Já o músculo dorso glúteo não é bem desenvolvido em crianças menores de um ano, há presença de camada espessa de tecido adiposo, além do risco de lesão de vasos sanguíneos e do nervo isquiático (anteriormente denominado na nomina anatômica como nervo ciático)(1).

A injeção IM no músculo ventro glúteo é a que representa menor risco, pois é livre de vasos ou nervos importantes e seu tecido subcutâneo de menor espessura, se comparado a outros músculos utilizados para IM. Na prática clínica, esta é uma região muito pouco escolhida e a mudança dessa realidade depende da equipe de enfermagem, que, recebendo treinamento adequado e sendo supervisionada, talvez passe a incorporá-la em sua prática [...](1) A administração da dose correta de um medicamento é uma responsabilidade compartilhada entre o médico que prescreve e o medicamento e a enfermagem que o administra. As crianças reagem com gravidade inesperada a alguns medicamentos e as crianças doentes são particularmente sensíveis. Quando se prescreve uma dose que está fora do intervalo atual ou quando há duvidas em relação à preparação ou via de administração a enfermagem sempre deve consultar o médico que prescreveu o medicamento antes de prosseguir com a administração uma vez que o pessoal da enfermagem é legalmente responsável por qualquer medicamento administrado (Hockenberry et, al)(2).