Qual a associação entre diabetes e periodontite?

A associação da periodontite com Diabetes mellitus (DM) tem sido investigada e estudos mostram que existe uma correlação definida entre ambas(1,2). Observa-se que indivíduos com diabetes e controle glicêmico inadequado têm maior probabilidade de desenvolver doença periodontal grave. Em uma via de mão dupla, a periodontite também pode interferir no controle glicêmico desses indivíduos, pois tendem a ter níveis mais elevados de hemoglobina glicada (HbA1c)(1). Nesse sentido, é de extrema importância uma abordagem multiprofissional desses pacientes.

É necessária a troca de conhecimento e informações entre todos os profissionais envolvidos com o atendimento de um paciente com DM e doença periodontal. Esse processo de aproximação e troca entre profissionais como médico, dentista, nutricionista, educador físico, dentre outros, contribui imensamente com a melhora clínica da saúde geral e bucal dos indivíduos acometidos pela associação de ambas as doenças.

A doença periodontal é classicamente a sexta complicação mais frequente do DM. O diabetes também constitui um fator que aumenta em três vezes o risco à doença periodontal(3). A dificuldade do controle glicêmico em pacientes com diabetes aumenta a probabilidade de desenvolvimento de periodontite grave devido à redução dos mecanismos de defesa do hospedeiro e aumento da suscetibilidade a infecções(1). Evidências indicam que a periodontite também aumenta o risco do paciente em desenvolver diabetes e suas complicações, mas os mecanismos imunopatológicos pelos quais isto ocorre ainda não são totalmente compreendidos(1). A infecção e inflamação dos tecidos periodontais pode levar  à disseminação intravascular de microrganismos e seus produtos para todo o corpo. A área da superfície total referente ao epitélio ulcerado das bolsas periodontais na periodontite de forma generalizada é estimada como sendo do tamanho da palma de uma mão. Intervenção médica imediata deve ser realizada se uma lesão desse tamanho estiver localizada na pele. Esta área epitelial subgengival inflamada e ulcerada das bolsas periodontais constitui uma vasta porta de entrada para bactérias periodontopatogênicas, seus produtos, endotoxinas como o lipopolissacarídeo (LPS) e mediadores inflamatórios que podem chegar a circulação sistêmica. No entanto, a periodontite é frequentemente ignorada pelos profissionais de saúde, embora possa estar associada a uma série de doenças e condições sistêmicas (4, 5, 6). Os mecanismos imunológicos que medeiam o efeito da periodontite no controle do diabetes ainda estão sob investigação. Contudo, a maioria dos estudos demonstra que mediadores pró-inflamatórios circulantes como fator de necrose tumoral α (TNF-α), PCR e mediadores de estresse oxidativo estão elevados em pacientes com ambas as doenças e esses indivíduos tendem a demonstrar maior dislipidemia e função reduzida das células beta do que nas pessoas apenas com diabetes(1). Em se tratando dos efeitos do diabetes na doença periodontal, dentre outros fatores, é provável que o estado de hiperglicemia possa favorecer diretamente o crescimento de patógenos periodontais, dificultar ou prejudicar as funções celulares e, consequentemente, as defesas do hospedeiro tornando a doença periodontal ainda mais grave ou destrutiva(7). É de extrema relevância que os profissionais de saúde como médicos, estejam cientes da periodontite e suas implicações no controle glicêmico e nas complicações em indivíduos com diabetes. Por outro lado, os dentistas devem atentar para a identificação de pré-diabetes e diabetes mellitus não diagnosticado porque a periodontite pode aumentar o risco de muitas complicações do diabetes como retinopatia, nefropatia, ulceração neuropática do pé, doenças cardiovasculares e mortalidade(8).