Qual a conduta diante de um contato de tuberculose com resultado de teste tuberculinico acima de 10 mm?

Frente a um contato de tuberculose, com resultado do teste tuberculínico acima de 10mm, deve-se realizar o tratamento para tuberculose latente(1,2). Segundo protocolos do Ministério da Saúde tem indicação de tratamento para infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis contatos adultos e crianças com PT ≥ 5mm ou Interferon Gamma Realease Assay (IGRA) positivo, independentemente da vacinação prévia com Bacillus Calmette-Guérin (BCG)(1,2). O diagnóstico de tuberculose latente se dá pelo resultado positivo do teste tuberculínico, associado a exclusão do diagnóstico de tuberculose ativa(3). É importante considerar que, o tratamento está contra-indicado para pacientes em uso de corticosteróides (TT ≥ 5mm) que estão com idade ≥ 65 anos ou portadores de diabetes mellitus (TT ≥ 10 mm). Em grávidas Human Immunodeficiency Virus (HIV) negativas, é recomendado iniciar o tratamento da tuberculose latente somente após o parto e, em grávidas HIV positivas, o tratamento deve ser iniciado após o 3º mês de gestação(3).

A tuberculose latente (ILTB) é definida como a presença de uma resposta imune específica contra o M. tuberculosis na ausência de sinais clínicos de doença(2,4). O número de bacilos viáveis nesses casos é desconhecido, mas acredita-se que seja baixo(2,3). O risco de reativação da tuberculose em um indivíduo com tuberculose latente documentada é de 5-10% ao longo da vida, e a maioria desenvolve a doença nos 5 primeiros anos após a infecção inicial(2,4). No entanto, esse risco depende de vários fatores, sendo o mais importante o status imunológico do indivíduo(2,4). Atualmente, no Brasil, dois esquemas terapêuticos são recomendados para o tratamento da ILTB: um com isoniazida e outro com rifampicina(3,4). No esquema de tratamento com isoniazida é adotada a dose de 5 a 10 mg/kg de peso, até a dose máxima de 300mg/dia(3,5).  Nesse esquema terapêutico, o mais importante é o número de doses tomadas, e não somente o tempo de tratamento(4,5). Então, os esforços devem ser feitos para que a pessoa complete o total de doses programadas(4,5). Recomenda-se a utilização de 180 doses, que poderão ser tomadas de seis a nove meses, ou 270 doses, que poderão ser tomadas de nove a doze meses(3,4). No esquema de tratamento com rifampicina é adotada a dose de 10 mg/kg de peso até a dose máxima de 600 mg por dia(4,5).  Nesse esquema terapêutico, recomenda-se a utilização de 120 doses, que poderão ser tomadas de quatro a seis meses(4,5).  O esquema com rifampicina é a primeira escolha, no Brasil, em indivíduos com mais de 50 anos, em pessoas com hepatopatias, em contatos de pacientes com monorresistência ou intolerância à isoniazida, e crianças menores de 10 anos(4,5).  A Rifampicina está contraindicada nas pessoas vivendo com o vírus HIV (PVHIV) em uso de inibidores de protease e dolutegravir. Atributos da APS: Acesso - A abordagem humanizada e o estabelecimento de vínculo entre profissional de saúde e usuário auxiliam tanto no diagnostico como na adesão ao tratamento. Coordenação do cuidado - A equipe de saúde deve estar ciente e participar de recomendações que o paciente possa receber em ambulatórios especializados ou com outros profissionais fora do território de atuação do Centro de Saúde. Longitudinalidade - É importante o acompanhamento desses pacientes ao longo do tempo, com o vínculo é possível conhecer suas fragilidades e individualizar o seguimento.