Qual a efetividade das intervenções comunitárias em adultos para reduzir a prevalência de tabagismo?

O ato de fumar também é determinado pelo contexto social. A APS provê justamente o cuidado contextualizado requerido. Associada a abordagens individuais (uso de medicamentos, grupos de apoio e acompanhamento por profissionais treinados), a abordagem comunitária ainda pode ser melhor testada como estratégia de intervenção. Embora os resultados desta revisão sistemática não tenham sido favoráveis, devemos considerar os locais onde foram realizados (18 na Europa, 17 nos EUA, 2 na Austrália, 1 na África do Sul e 1 na Índia) talvez não similares ao contexto brasileiro. Há necessidade de desenvolvimento de estudos abrangentes que avaliem as iniciativas realizadas em nosso país. Nos estudos incluídos, apenas 9 (24%) abordavam exclusivamente o processo de parar de fumar e 31 (84%) utilizavam mídia de massa. Talvez uma abordagem em mídia mais direcionada ao tabagismo possa alcançar melhores efeitos. Os gestores devem preparar os seus profissionais com o maior numero de ferramentas disponíveis (individual, em grupo e comunitária), para que este possa escolher a que melhor se aplica ao seu contexto local.

Resumo e comentários por Maria Eugênia Bresolin Pinto em 23 Dezembro 2007

Resposta baseada em evidência Os maiores e melhores estudos falharam em detectar um efeito na prevalência do tabagismo é frustrante. A abordagem comunitária permanece uma parte importante das atividades da promoção de saúde, mas o “desenho” dos futuros programas precisará levar em conta o limite do efeito na determinação da escala do projeto e dos recursos destinados a eles. Em outra revisão da Cochrane (Sowden, 2003), a efetividade desta abordagem multidimensional para reduzir o início do tabagismo em jovens adultos demonstrou efetividade limitada. Sumário das evidências Foram incluídos 37 estudos dos quais 17 apresentavam uma intervenção e uma comunidade de comparação. Apenas 4 estudos usaram uma designação randomizada da comunidade tanto para a intervenção como para a comunidade de comparação. O tamanho das populações nas comunidades estudadas variavam de alguns milhares até mais de 100.000 habitantes. Foi usada mídia de massa em 31 estudos (84%): material impresso de noticias (30), incluindo anúncios; radio (22), incluindo noticias e anúncios; televisão (22); cartazes (22); newsletter e informativos pelo correio (10); e adesivos e botons (7). Intervenções especificas para o tabagismo incluíram material de auto-ajuda como kits para “parar de fumar” (18), grupos para parar de fumar (17); grupos de apoio e para parar de fumar (3); folders ou livretos sobre o tabagismo (16); aconselhamento individual (10 – 6 foram pessoalmente, 3 usaram telefonemas e um as duas técnicas); áudio, vídeo e slides (9); competições para cessar o tabagismo (8); e linhas telefônicas de auxilio (4). As mudanças na prevalência do tabagismo foram medidas em estudos transversais de follow-up em 21 estudos. A estimativa de diminuição variou de -1% a +3% para homens e mulheres combinados (11 estudos). Para as mulheres, a diminuição variou de -0,2% até + 3,5% por ano (11 estudos), e nos homens de -0,4% a +1,6% por ano (12 estudos). O consumo de cigarros e a taxa de secessão do tabagismo foi relatado em apenas alguns estudos. O estudo US COMMIT não demonstrou uma diferença significante na prevalência entre comunidade controle e de intervenção, e também não houve diferença significativa entre a cessação entre os tabagistas pesados que eram o alvo da intervenção. O estudo Australian CART demonstrou significância entre os homens que pararam de fumar, mas não entre as mulheres.