Qual a melhor via de parto para gestantes soropositivas?

De acordo com o Ministério da Saúde, gestantes soropositivas com carga viral desconhecida ou maior que 1.000 cópias/mL após 34 semanas de gestação, é escolhida por via de regra a cesárea eletiva na 38ª semana de gestação por razão da diminuição do risco de transmissão vertical do HIV. E, para as gestantes em uso de antirretrovirais e com supressão da carga viral sustentada, caso não haja indicação de cesárea por outro motivo, a via de parto vaginal pode ser indicada (BRASIL, 2015).
No entanto, alguns cuidados específicos devem ser realizados durante o parto vaginal, sendo contraindicados todos os procedimentos invasivos durante o trabalho de parto (amniocentese, amniotomia, escalpo cefálico). O parto instrumentalizado deve ser evitado, mas quando indicado, o fórceps deve ser preferido ao vácuo-extrator. A aplicação do fórceps ou vácuo-extrator só será admitida se houver uma indicação obstétrica precisa e que supere os riscos maiores de infecção da criança pelo procedimento. Havendo condições favoráveis para o parto vaginal e estando este indicado, iniciar o AZT intravenoso logo que a parturiente chegar ao serviço, conforme o protocolo estabelecido, e manter a infusão até a ligadura do cordão umbilical (BRASIL, 2010).
O trabalho de parto deve ser monitorado cuidadosamente, evitando toques desnecessários e repetidos (usar o partograma). Deve-se evitar também que as parturientes permaneçam com bolsa rota por tempo prolongado, visto que a taxa de transmissão vertical aumenta progressivamente após quatro horas de bolsa rota. O uso de fármacos que aumentam a atividade uterina não está contraindicado, mas deve ser utilizado segundo os padrões de segurança já conhecidos. A amniotomia artificial deve ser evitada, a menos que extremamente necessária. A ligadura do cordão umbilical deve ser imediata à expulsão do feto, não devendo ser executada, sob nenhuma hipótese, a ordenha do cordão (BRASIL, 2015).

No caso de cesariana eletiva, é necessário: - Confirmar a idade gestacional adequadamente para evitar a prematuridade iatrogênica. Utilizar parâmetros obstétricos, como data da última menstruação correta, altura uterina, ultrassonografia precoce (preferencialmente no 1º trimestre, ou antes, da 20ª semana); - Ser realizada na 38ª semana de gestação para evitar a prematuridade e/ou o trabalho de parto e a ruptura prematura das membranas; - Caso a gestante tenha indicação para a cesárea eletiva, inicie o trabalho de parto antes da data prevista para a cirurgia e chegue à maternidade com dilatação cervical mínima (menor que 4 cm), o obstetra deve iniciar a infusão intravenosa do AZT e realizar a cesárea, se possível, após três horas de infusão. A Atenção Primária à Saúde / Atenção Básica (APS/AB) tem um papel importante no cuidado a gestante soropositiva, desenvolvendo ações desde o aconselhamento anticoncepcional por meio de avaliação psicossocial, clínica e ginecológica-laboratorial (teste rápido e controle de carga viral em níveis indetectáveis antes da gestação), cuidado pré-natal estratificado como alto risco e atenção no puerpério. Além disso, a abordagem inicial a gestante infectada pelo HIV consistirá no seguimento do caso clínico, laboratorial e obstétrico, no qual nesse processo a atenção básica, especialmente a equipe de saúde da família deverá promover a adesão das suas gestantes ao pré-natal, realizando planejamento e o acompanhamento adequados, com o objetivo de garantir uma gestação com menor risco de transmissão vertical. De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, toda gestante HIV positiva deverá ser encaminhada ao pré-natal de alto risco - Serviço de Atenção Especializada em DST/Aids (SAE). No pré-natal de alto risco, medidas específicas deverão ser tomadas: detalhamento da história clínica, enfoque nos sinais clínicos sugestivos de manifestações da doença; avaliação laboratorial específica e uso de antirretrovirais para profilaxia da transmissão vertical ou do tratamento da infecção pelo HIV. Além disso, é importante a interlocução entre os profissionais da Equipe de Saúde da Família (ESF) e o serviço ambulatorial especializado saúde que compartilham o cuidado por meio da referência e contra-referência. Considerando a APS/AB coordenadora do cuidado, é relevante que a ESF também participe da atenção a essa gestante, estimulando-a a participar dos grupos de mulheres, orientações sobre a realização trabalho de parto e cuidados com o recém nascido, vigilância sobre o calendário vacinal e entre outras atividades inerentes ao pré-natal (BRASIL 2010; BRASIL 2013; BRASIL 2015). A atenção à gestante HIV positivo consiste na participação de todos os profissionais da APS/AB, assim é crucial o envolvimento da ESF, o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), médico(a) obstetra e infectologista da rede especializada, dialogando sobre a situação de saúde da gestante, avaliando as necessidades específicas dessa mulher na construção de um projeto terapêutico singular que canalize na oferta do cuidado integral, humanizado e resolutivo.   SOF relacionadas:
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Bibliografia Selecionada

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de DST, AIDS, e Hepatites Virais. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para a Prevenção da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatites Virais. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/sites/default/files/anexos/publicacao/2015/58572/pcdt_transm_vertical_091215_pdf_12930.pdf>. Acesso em 20 de outubro de 2016.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Protocolo para a prevenção de transmissão vertical de HIV e sífilis: manual de bolso / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Programa Nacional de DST e Aids.. – Brasília: Ministério da Saúde, 2007. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_prevencao_transmissao_verticalhivsifilis_manualbolso.pdf>. Acesso em 20 de outubro de 2016.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Gestação de alto risco: manual técnico / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – 5. ed. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2010. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gestacao_alto_risco.pdf>. Acesso em 20 de outubro de 2016.
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – 1. ed. rev. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2013. Cadernos de Atenção Básica, 32 Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/caderno_32.pdf>