Qual a opção terapêutica para gestantes com sífilis e alérgica a penicilina benzatina?

As pacientes gestantes com sífilis e alérgicas a penicilina benzatina devem ser encaminhadas a um serviço terciário, para que sejam dessensibilizadas e posteriormente tratadas com penicilina, em ambiente hospitalar (1,2).No entanto, na impossibilidade de realizar a dessensibilização, a gestante poderá ser tratada no ambiente ambulatorial ou na Atenção Primária de Saúde com ceftriaxona 1 g, IV (intravenoso) ou IM (intramuscular), em dose única diária, por 8 a 10 dias ou eritromicina (estearato), 500 mg, por via oral, de 6/6 horas durante 15 dias, para a sífilis recente ou durante 30 dias, para a sífilis tardia)(1,2,3).

A ocorrência de alergia a penicilina é em sua maioria benigna, as reações graves acontecem raramente em 10 a 40 por 100.000 tratamentos. Nesses casos, será necessário notificar, investigar e tratar a criança para sífilis congênita, já que tratamento da sífilis materna com outro medicamento, que não seja a penicilina, é considerado tratamento inadequado para o feto, por não atravessar a barreira placentária.(3,4). Complemento A Penicilina G Benzantina é o medicamento de escolha para o tratamento da sífilis na gestação e na prevenção da transmissão vertical da doença para o feto, apresentando 98% de taxa de sucesso nessa prevenção. Assim, os tratamentos não penicilínicos são inadequados e só devem ser considerados como opção nas contraindicações absolutas ao uso da penicilina, como é o caso de alergia ou anafilaxia prévia(3,4). Para o monitoramento da resposta ao tratamento da sífilis na gestação, os testes não treponêmicos (VDRL) devem ser realizados mensalmente nas gestantes. A redução de dois ou mais títulos do VDRL (ex.: de 1:32 para 1:8) ou a negativação após seis meses a nove meses do tratamento demonstra a cura da infecção. Haverá indicação de retratamento, quando houver elevação de títulos do VDRL em duas diluições (ex.: de 1:16 para 1:64, em relação ao último exame realizado), devido à possibilidade de falha terapêutica. (5) O uso de tetraciclina, doxiciclina e estolato de eritromicina é contraindicado na gestação devido ao risco de alterações ósseas e do esmalte dentário do feto, toxicidade para a mãe causados pelas tetraciclinas e doxiciclina e litíase intrahepática fetal, pelo estolato. Entretanto, é importante ressaltar que, toda gestante diagnosticada com sífilis deve ter seu tratamento iniciado o mais precocemente possível.(3,6) A sífilis na gestação é uma doença de notificação compulsória desde 2005, dessa forma, é necessário identificar o surgimento de casos novos pela equipe de saúde, para que possa haver ações de prevenção e controle deste agravo. Após confirmação do diagnóstico, a Unidade Básica de Saúde deve preencher a ficha de notificação e remetê-la ao órgão competente de seu município.(1)