Qual a opinião dos profissionais de psicologia em relação ao uso de bico ou chupeta para bebês?

Na literatura, o uso do bico ou chupeta está incluído no conceito teórico de “hábito de sucção não-nutritivo” (HSNN), pois é uma sucção sem fim nutricional, assim como a sucção do dedo, de panos ou outros objetos.
A sucção não-nutritiva é um reflexo inato e inicia desde a vida intrauterina (lembre-se de ecografias em que o bebê está chupando o dedo) e é um hábito registrado na história da humanidade desde as primeiras civilizações. Por meio da sucção, a criança entra em contato com o mundo externo, satisfazendo, além da nutrição, suas necessidades afetivas. Na psicologia, as teorias psicanalíticas preconizam que a descoberta do mundo é pela via oral no início da vida (fase oral). O bebê descobre o externo desta forma, levando os objetos à boca. O objetivo da introdução da chupeta sempre foi o de acalmar a criança. Há um artigo muito interessante que conta esta história e que faz um levantamento multidisciplinar a respeito de como cada área se posiciona sobre os HSNN (1).

Nos artigos levantados na literatura científica, não encontramos inconvenientes, no campo da psicologia, que contra-indiquem o uso da SNN, desde que a criança supere o hábito à medida que for se desenvolvendo. Pelo contrário, conflitos entre a pulsão libidinal e a interdição externa (privação do desejo de sucção) podem levar à frustração, angústia, estresse, fixação, regressão e até ao desenvolvimento de doenças. No entanto, como a integralidade é um dos atributos da APS, precisamos saber também sobre como os outros campos de conhecimento (odontologia, nutrição, fonoaudiologia) entendem este HSNN para nos posicionarmos em um curso para gestantes. Para tanto, indico a leitura do artigo citado, cuja abordagem é multiprofissional. A decisão de introduzir ou não chupeta é da família. É papel dos profissionais da saúde oferecer aos pais dados sobre os prós e contras da chupeta para que eles tomem uma decisão informada a esse respeito.