Qual a orientação para uso de flúor em crianças? Indica-se creme dental com ou sem flúor e para qual idade?

O dentifrício fluoretado é considerado um dos métodos mais racionais de prevenção da cárie, pois alia a remoção do biofilme dentário à exposição constante ao flúor. Sua utilização tem sido considerada responsável pela diminuição nos índices de cárie observados hoje em todo mundo, mesmo em países ou regiões que não possuem água fluoretada. Considerando que o flúor do dentifrício é fundamental para o controle da cárie, porém há risco de aumento na prevalência de fluorose dentária nas regiões em que a água é fluoretada, recomenda-se:

  • o dentifrício fluoretado deve ser introduzido após a erupção dos primeiros molares decíduos (em torno dos 18 meses) na última escovação do dia, em quantidade mínima (um grão de lentilha);
  • a escovação da criança sempre deve ser supervisionada pelos pais e/ou cuidadores até que compreendam o significado e usem pequena quantidade de dentifrício;
  • o dentifrício não deve ficar ao alcance de crianças de pequena idade para não incentivar a ingestão voluntária;
  • a criança deve ser incentivada a cuspir para adquirir este reflexo o mais cedo possível.

Dentifrícios não fluoretados ou com baixa concentração de fluoretos não são recomendados. Tendo em vista a importância do flúor no controle da cárie, o dentifrício não fluoretado é uma medida que não encontra respaldo científico. Isto só é admissível do ponto de vista individual, mas não populacional. Deste modo, se uma família tem controle absoluto sobre os fatores que levam ao desenvolvimento da cárie dentária, a criança não precisa de flúor. Trata-se de uma situação extremamente particular e de difícil extrapolação para a maioria. Não há evidências científicas de que o dentifrício com baixa concentração de flúor (500 a 600 ppm de flúor), tenha a mesma eficácia anticárie que o com concentração convencional (1.000 a 1.100 ppm de flúor). Além disso, a menor concentração de flúor também não resolveria o problema do risco de fluorose em termos de indivíduos, sendo que por isso seu uso não é recomendado. Ressalta-se que usar uma pequena quantidade de dentifrício é a medida mais importante para reduzir o risco de fluorose.

Bibliografia Selecionada

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia de recomendações para o uso de fluoretos no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde; 2009. Disponível em: http://cfo.org.br/wp-content/uploads/2010/02/livro_guia_fluoretos.pdf Acesso em: 25 ago 2010.
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